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Polónia: a batalha pelo poder faz-se no feminino

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A acreditar nas sondagens mais recentes, esta será a terceira vez que uma mulher é eleita para liderar o Governo polaco

AGENCJA GAZETA

O país tradicionalmente católico deverá contar com a eleição de uma mulher como chefe do Governo nas legislativas deste domingo. No entanto, as feministas polacas duvidam das boas intenções dos partidos políticos

A Polónia está a marcar a diferença nestas eleições legislativas, dado que entre os candidatos a primeiro-ministro se contam três mulheres. O Governo polaco já é atualmente liderado por uma mulher, Ewa Kopacz, desde que em 2014 o então detentor do cargo, Donald Tusk, se demitiu para assumir o cargo de presidente do Conselho Europeu.

Nestas eleições, que decorrem este domingo, a atual governante e líder do partido Plataforma Cívica vai tentar ser reeleita, mas defronta as oponentes Beata Szydlo, do conservador Lei e Justiça, e Barbara Nowacka, que lidera a coligação de esquerda e aspira apenas a eleger representação parlamentar - objetivo que, segundo as sondagens, está perto de conseguir, já que ultrapassa os 5% necessários para que um partido eleja deputados e os 8% de que uma coligação precisa para o mesmo fim.

Apesar de o quadro para as eleições na Polónia, um país tradicionalmente católico e conservador, parecer promissor, os sectores feministas têm classificado a situação como “uma reflexão do poder patriarcal polaco”. As dúvidas residem no facto de a liderança feminina poder estar a ser utilizada pelos verdadeiros líderes masculinos dos partidos com o fim de conseguir votos.

A analista política Kazimierz Kik deixa um aviso claro: “As mulheres tornaram-se instrumentos num jogo político”. Citada pela Associated Press, a polaca argumenta que os líderes partidários sabem que “as mulheres são mais delicadas e não vão ameaçar as lideranças masculinas. As mulheres servem para dar vitórias, e não para ganhar como figuras individuais”.

O número de mulheres no Sejm, o Parlamento polaco, já cresceu mais de 80% durante os últimos vinte anos. Neste momento, 111 ocupam assentos parlamentares - um número que não impressiona se se tiver em conta que o sexo feminino representa apenas cerca de 20% dos 460 deputados.

Uma coisa é certa: eleitores vão escolher uma mulher

Ao substituir Donald Tusk como primeira-ministra, Ewa Kopacz tornou-se a segunda mulher a liderar a Polónia. A pioneira foi Hanna Suchocka, que ocurpou o cargo entre 1992 e 1993. Suchocka liderou o Partido Democrata polaco, acabando por ser substituída como chefe do Governo por Waldemar Pawlak, após ter falhado o objetivo de alcançar compromissos entre radicais e tradicionalistas no Parlamento.

De acordo com as sondagens, o Lei e Justiça de Szydlo tem fortes possibilidades de ganhar as eleições, ultrapassando o Plataforma Cívica pela primeira vez em dez anos. Se assim for, os polacos passarão de um Governo liberal-democrata para um tradicionalista e conservador. Uma coisa não vai mudar: a próxima pessoa que liderar o país deverá mesmo ser uma mulher.