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O soldado 4.494 tem nome: Joshua Wheeler

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A história do soldado norte-americano que morreu a salvar 70 reféns que estavam nas mãos do autodenominado Estado Islâmico

Reuters

No início, dele só se sabiam números: era o 4.494º soldado norte-americano a morrer no Iraque e o primeiro desde o início da guerra dos Estados Unidos contra o autodenominado Estado Islâmico (Daesh), em julho de 2014. Mas esta sexta-feira a sua identidade foi revelada: o número 4.494 era, afinal, o primeiro sargento Joshua Wheeler.

Aos 39 anos, Wheeler caiu em combate quinta-feira numa operação conjunta dos Estados Unidos e forças especiais curdas numa prisão na região de Hawija, na província iraquiana de Kirkourk, que resultou no resgate de 70 reféns. Destacado nas Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos, com base em Fort Bragg, na Carolina do Norte, Joshua L. Wheeler é natural de Roland, Oklahoma.

Alistou-se ao Exército como soldado de infantaria em 1995 e em 2004 entrou para as Forças Especiais, sendo destacado 11 vezes para operações de combate no Médio Oriente. Neste sentido, segundo sublinha o “El Mundo”, Wheeler não pertencia aos cerca de 3.400 militares que os Estados Unidos têm no Iraque para dar apoio ao Governo iraquiano na luta contra o Daesh - uma vez que as Forças Especiais entram e saem dos países em função da necessidade de realizar operações específicas.

Agora, Joshua Wheeler tornou-se no primeiro soldado norte-americano a morrer no Iraque na campanha dos Estados Unidos contra o Daesh. Esta quinta-feira, os norte-americanos teriam apenas o papel de prestar apoio aos curdos a partir de cinco helicópteros, de acordo com a política de Defesa definida por Barack Obama para a região, segundo esclarecem as autoridades norte-americanas. No entanto, o risco “iminente” de execução dos reféns da prisão levaria os Estados Unidos a intervir, numa ofensiva que levantou uma série de questões sobre o papel dos americanos no Iraque. “No more boots on the ground?” (“Nem mais um homem no terreno?”)

Dúvidas e pontos de interrogação

A intervenção dos Estados Unidos na ofensiva - e consequente morte do soldado norte-americano - levantou um conjunto de “pontos de interrogação” sobre o papel que alegam ter na região. “O que aconteceu hoje [quinta-feira] é muito perigoso”, declarou Hakim al-Zamili, presidente do comité parlamentar da Segurança e Defesa do Iraque, citado pelo “The Washington Post”.

“As Forças Especiais estão definitivamente envolvidas em combates”, aclara ainda Patrick Martin, um analista iraquiano do Instituto para o Estudo da Guerra, organização apartidária sediada em Washington. “O Pentágono pode dizer que esta não é uma missão de combate, mas é...”

Mais cauteloso, Dave Maxwell, o ex-membro das Forças Especiais norte-americanas e atual diretor-adjunto do departamento de estudos sociais da Universidade de Georgetown, explica que esta intervenção dos Estados Unidos mostra o dilema dos conselheiros norte-americanos no sentido de perceber até onde podem ir na sua relação com as unidades às quais prestam apoio. “Até que ponto devem apoiar estes homens na concretização da sua missão?”