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Jovem que atacou escola sueca defendia ideais nazis

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FOTO JONATHAN NACKSTRAND/AFP/GETTY

Ninguém desconfiou da indumentária de Halloween de Anton Lundin-Pettersson. Polícia diz que na origem do ataque estiveram “motivações racistas”. Jovem assistia regularmente a vídeos sobre Hitler e o nazismo

Acreditavam que era uma antecipação do Halloween, mas mal sabiam que o cenário de terror viria a tornar-se real. Esta quinta-feira, Anton Lundin-Pettersson - que é o nome indicado pelos media suecos de ser o do suspeito de ter assassinado um professor e um aluno numa escola da cidade de Trollhatten, muito povoada por cidadãos imigrantes -, chegou ao local com uma indumentária própria dos festejos relacionados com o Dia das Bruxas.

Vestido de negro, com um capacete nazi e uma máscara da personagem Darth Vader, do filme “Star Wars”, o jovem de 21 anos levava consigo uma espada, uma faca e outras armas brancas. Ninguém terá percebido que as armas eram reais, dizem os professores. Algumas testemunhas contam que Anton estava a ouvir músicas de filmes de terror.

Mas ninguém suspeitou de imediato. Chegou a ser visto a tirar fotografias com alunos, que acharam graça ao traje do jovem, minutos antes do ataque.

Perante a agitação, uma professora terá advertido o jovem, pedindo-lhe para não assustar os alunos. “Se estás aqui para os assustar, sai por favor.” De Anton nem uma palavra. Foi então que o jovem começou a atacar estudantes e funcionários da escola que ali se encontravam, refere o jornal sueco “Dagens Nyheter.”

Um professor-assistente de 20 anos morreu de imediato, enquanto um estudante de 17 acabou por não resistir aos ferimentos no hospital. O atacante foi atingido a tiro pelas autoridades e está hospitalizado em estado grave, sob prisão. Dois outros estudantes estão também numa situação crítica.

“Motivações racistas” por trás do crime

Esta sexta-feira, a polícia sueca declarou que haverá “motivações racistas” na origem do ataque. “Estamos convencidos de que o agressor terá agido em função de razões racistas. Chegámos a esta conclusão com base no seu comportamento durante o crime, na seleção das vítimas e após termos efetuado buscas à sua casa”, afirmou o chefe da polícia sueca, Niclas Hallgren, citado pelo “The Telegraph.”

Descrito como alguém “introvertido” mas “simpático” pelos amigos e vizinhos, Anton Lundin-Pettersson tinha como principais gostos jogos de computador e música hip hop. Todos se confessam “chocados” com o crime.

No entanto, Anton teria outras preferências desconhecidas, segundo a imprensa local. Na véspera do crime, o jovem terá visualizado vídeos no YouTube sobre ideais nazistas e segregação racial e tudo indica que era uma prática comum.

O primeiro-ministro Stephen Löfven falou num “dia negro” para a Suécia. “Não há palavras para descrever o que as vítimas e as suas famílias, alunos e funcionários, estão a passar agora”, afirmou, sublinhando que “é suposto a escola ser um espaço de aprendizagem e amizade”. O governante sueco garantiu ainda que será disponibilizado todo o apoio às vítimas e familiares.

Também o rei Carl Gustaf se manifestou em “choque” com a tragédia que assolou o país e manifestou a solidariedade para com todos os afetados.