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Passos lança crítica ao “jogo negativo feito pelos partidos derrotados”

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Luís Barra

Presidente do PSD diz que “os líderes políticos que usaram a demagogia” e “mobilizaram o radicalismo” foram rejeitados pelos portugueses nas urnas. A crítica foi deixada numa mensagem vídeo enviada ao congresso do Partido Popular Europeu que decorre em Madrid

Susana Frexes

em Madrid

Correspondente em Bruxelas

Na expectativa de poder vir a ser indigitado como primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho ficou em Lisboa e enviou para Madrid - onde decorre o Congresso do Partido Popular Europeu - um vídeo e uma mensagem política.

“Este é um momento muito significativo para todos nós e não devemos ignorar o significado político dos eventos mais recentes”, disse.

Sem nunca mencionar diretamente o Partido Socialista e as negociações levadas a cabo por António Costa com o Bloco de Esquerda e o PCP, Passos Coelho deixou claro o que pensa nas entrelinhas ao referir-se a um “jogo negativo feito pelos partidos derrotados” para formar governo.

Aos líderes de centro-direita, falou ainda do “bom senso do povo português”, no qual sempre confiou e que se traduziu na derrota nas urnas “de todos os partidos políticos que viraram as costas à realidade”.

“Os líderes políticos que usaram a demagogia contra o senso comum e mobilizaram o radicalismo contra a responsabilidade foram rejeitados pelo povo”, acrescentou o presidente do PSD.

Na plateia, a ouvi-lo, estavam a chanceler alemã, Angela Merkel, e os restantes chefes de Estado e de Governo de centro-direita, tal como os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, Jean-Claude Juncker e Donald Tusk.

Passos sublinhou o “valor dado ao realismo, à responsabilidade e à coerência estratégica” como marca central da identidade do PPE.

“Nós no PPE mostrámos que somos fiéis aos nossos princípios morais e políticos, bem como à inclinação para aceitar a realidade”, disse o primeiro-ministro em exercício, recordado que herdou “um legado extremamente pesado” mas que conseguiu “fechar um programa de assistência muito exigente”.

“Agora sabemos que esses valores não são uma menos-valia nas eleições. Em Portugal, mostrámos isso sem margem para qualquer dúvida, concluiu.

Passos deseja boa sorte a Rajoy

Na sua intervenção, Passos Coelho dirigiu-se também ao Presidente do governo espanhol, que será avaliado nas urnas a 20 de dezembro: “Meu querido Mariano, também tiveste de lidar com uma herança pesada nos últimos anos, também tiveste de ser persistente para dar a volta a uma situação económica e social difícil. E agora também tens resultados positivos para mostrar. A Espanha está a crescer outra vez e está a criar emprego”.

Pedro Passos Coelho estabeleceu o paralelo entre os dois países e desejou “a maior sorte” a Rajoy nas eleições.

Já esta manhã, o líder do Partido Popular espanhol tinha manifestado o mesmo apoio a Passos. À entrada para o Congresso em Madrid, Rajoy disse esperar que este venha a ser indigitado primeiro-ministro, justificando que isso é que seria “democrático”.

“Acho que uma coligação entre o Partido Socialista, o 'Podemos português' e o partido comunista, seria muito negativo para os interesses de todos e, sobretudo, não respeitaria o que disseram os cidadãos”, concluiu o líder de centro-direita espanhol.