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Paquistão recusa limites a armas nucleares impostos pelos EUA

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O primeiro-ministro paquistanês quer utilizar as armas nucleares de uso táctico contra a vizinha Índia

JUSTIN LANE

A recusa refere-se às armas de uso tático, pensadas principalmente para fazer frente a ataques da Índia. A notícia surge numa altura em que um relatório norte-americano revela que o Paquistão poderá tornar-se na quinta maior força nuclear mundial já em 2025

O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, vai esta semana apresentar a Barack Obama a sua recusa em aceitar os limites ao uso de pequenas armas nucleares de uso táctico. A informação foi revelada esta quarta-feira pelas autoridades paquistanesas.

Para Sharif, este tipo de armas, normalmente utilizado para dar resposta a ataques das forças inimigas, pode ser útil para deter ataques inesperados vindos da vizinha Índia. O governante paquistanês argumenta que os Estados Unidos estão a impor "limites irrealistas" ao uso de armas nucleares.

No entanto, os Estados Unidos temem que as armas de uso tático acabem por ser usadas numa guerra convencional, desestabilizando assim a região. De acordo com fonte próxima das autoridades norte-americanas, citada pela Reuters, Barack Obama está a planear vender oito aviões F-16 ao Paquistão, numa tentativa de apaziguar as relações entre os dois países.

A informação deverá ser confirmada durante o encontro entre Sharif e Obama, que vai decorrer na Casa Branca, esta quinta-feira. O governante paquistanês já esteve esta quarta-feira reunido com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, mas não foi esclarecido se o programa nuclear do Paquistão teria sido um dos pontos discutidos durante o encontro.

Naquela que foi a sua segunda reeleição, há dois anos, Sharif representou uma esperança para os Estados Unidos, dadas as suas intenções de enfrentar os talibãs afegãos e de trabalhar na melhoria das relações com a Índia. No entanto, Obama acabou por ver as suas expectativas frustradas - um dos pontos baixos na relação entre os dois governantes foi a descoberta de que, até ser encontrado e morto pelas forças norte-americanas, o antigo líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, se encontrava escondido no Paquistão.

PAQUISTÃO A CAMINHO DE SE TORNAR A QUINTA MAIOR FORÇA NUCLEAR

A notícia de que o Paquistão poderá tornar-se na quinta maior força nuclear do mundo já em 2025, revelada esta quinta-feira por um centro de investigação norte-americano, poderá estar a alimentar as reservas dos Estados Unidos. O relatório que contém estes dados, intitulado "Forças nucleares paquistanesas em 2015", concluiu que o país conta neste momento com 130 centrais nucleares, um número que poderá aumentar para 230 daqui a dez anos.

Para mais, o relatório revela que o Paquistão, além de concentrado em produzir uma capacidade nuclear com base marítima, já desenvolveu dez armas nucleares de uso tático, precisamente para responder a ataques da Índia.

Os Estados Unidos têm encorajado Índia e Paquistão a encetar diálogo. O porta-voz do secretário de Estado norte-americano, John Kirby, declarou após a reunião entre Kerry e Sharif que "a normalização das relações entre Paquistão e Índia é vital".

Os dois países já travaram três guerras desde que se separaram, em 1947. Em causa está a região himalaia de Kashmir, que ambos reclamam.