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“O meu filho chegou a casa, olhou-nos, disse-nos adeus e depois soubemos da sua morte”

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Um palestiniano atira uma pedra na fronteira entre Israel e a faixa de Gaza, a este de Al Bureij

MAHMUD HAMS / AFP / Getty Images

Abu Bilal foi o primeiro palestiniano armado a ser morto na linha verde da faixa de Gaza por soldados israelitas, na sequência dos confrontos que se intensificaram este mês na região entre israelitas e palestinianos. A família orgulha-se da forma como morreu. “Morreu a lutar, como um atacante, não como alguém em fuga”

Depois de ser atingido com vários disparos, caiu morto. Encontrava-se na zona centro da faixa de Gaza, a este do campo de refugiados de Al Bureij, nessa tarde da passada terça-feira. Tal como nos outros dias, os jovens palestinianos reuniram-se em diferentes pontos da faixa de Gaza para atirar pedras contra os soldados israelitas - no posto fronteiriço de Beit Hanun-Erez, a norte, Nahal Oz, a este, e Al Bureij, na zona centro. E foi nesta última zona que Abu Bilal morreu.

Casado e com 27 anos, Abu Bilal tornou-se assim, segundo o “El Mundo”, no primeiro palestiniano armado a ser abatido na linha verde da Faixa de Gaza por soldados israelitas - e a 15ª vítima mortal na sequência dos confrontos que se intensificaram este mês em Gaza.

“O meu filho chegou a casa, olhou-nos, disse-nos adeus e, passado pouco tempo, soubemos da sua morte”, conta ao “El Mundo” a mãe, Arfa Asserhi. “Terá ido para a linha verde para esconder-se, atirar contra os israelitas e disparar”, acrescenta, sublinhando que esta não seria a primeira vez que o filho participava em ações militares contra Israel. “Os israelitas atacaram-no em outras ocasiões, mas desta vez armaram-lhe uma emboscada”, explica ainda. “O meu filho queria ser mártir. O que fez foi em nome da pátria. Foi ver o que se tinha passado e acabou mártir.”

“O meu irmão morreu a lutar, como um atacante, não como alguém em fuga. Fê-lo pela nossa pátria, a Palestina, pela qual todos morremos”, declarou ainda a sua irmã, Abeer.

Os companheiros de Abu Bilal deslocaram-se esta quarta-feira a sua casa para levar o corpo para uma mesquita no campo de refugiados de Deir al-Balah, na zona centro da faixa de Gaza. E revelaram assim a sua identidade, ao pintar numa parede um símbolo do movimento xiita Assabireen, ao qual o jovem pertencia - uma 'manifestação' proibida pelo Hamas, de orientação sunita, que detém o poder na faixa de Gaza.

A morte de Bilal revela assim uma luta paralela armada na linha verde da faixa de Gaza, onde também os xiitas Assabireen, perseguidos na região pelos sunitas do Hamas, se empenham na luta contra Israel em nome da Palestina.