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Internacional

Merkel desmente Netanyahu e reafirma a responsabilidade da Alemanha na Shoa

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Netanyahu e Merkel em Berlim

FABRIZIO BENSCH

Chanceler alemã declara não fazer sentido rever a história após a afirmação do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

“Mantemos a responsabilidade alemã pela Shoa”, declarou Angela Merkel esta quarta-feira em Berlim, sublinhando não haver qualquer razão para alterar a versão da história relativamente a este assunto.

A chanceler alemã foi obrigada a prestar este esclarecimento em conferência de imprensa conjunta com o líder israelita depois de este afirmado que tinha sido um líder palestiniano a incitar Hitler ao Holocausto. Netanyahu disse que a intenção original de Hitler tinha sido afastar os judeus e que fora o mufti de Jerusalém, Haj Amin al-Husseini que o incitara ao extermínio, alegando que, se não fossem exterminados, regressariam.
As declarações de Netanyahu - que provocaram incredulidade e zanga generalizadas - foram feitas na véspera da sua deslocação a Berlim para um encontro com Angela Merkel e o secretário de Estado norte-americano John Kerry. Durante um discurso no Congresso Mundial Sionista, em Jerusalém, Netanyahu descreveu um encontro entre Hitler e Husseini, em novembro de 1941, alegando que fora Husseini quem sugerira a Hitler que queimasse os judeus: “Queime-os!”.

Depois de o seu porta-voz, Steffen Seibert, ter declarado que o Holocausto é “um crime alemão”, assumiu em nome do Governo federal: “Todos nós os alemães conhecemos com grande precisão o fanatismo rácico dos nacional-socialistas que levou ao corte com a civilização que foi a Shoa”.
A Shoa “é ensinada nas escolas alemãs por uma boa razão. Não deve ser esquecida. Nós sabemos que a responsabilidade por este crime contra a humanidade é alemã, nossa”, concluiu Seibert.

Numa coluna de opinião no jornal “Die Welt”, o comentador Alan Posener escreveu que os alemães estão habituados a ver a sua história reinventada por déspotas: “A sua interpretação [de Netanyahu] da história tem todas as marcas do oportunismo que define todo o seu comportamento. Ao ilibar os alemães incriminando um muçulmano, espera ganhar amigos entre os europeus islamofóbicos. A sua motivação é compreensível, mas errada”.