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Hillary Clinton responde perante comissão de inquérito

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Darren Abate / Reuters

Já reconheceu que errou e pediu desculpa. Mas esta quinta-feira, a candidata que lidera a corrida democrata à Casa Branca terá de explicar no Congresso por que razão utilizou o e-mail pessoal para tratar assuntos de Estado pondo em risco a segurança nacional

Quer se trate da simples “busca da verdade”, como prometem os republicanos, ou de uma “caça às bruxas”, tal como antecipam os democratas, a audição da antiga secretária de Estado, Hillary Clinton, esta quinta-feira na comissão de inquérito que investiga o ataque ao consolado norte-americano em Bengasi, Líbia, em 2012, não poderia vir em pior altura. Logo agora que a antiga primeira-dama lidera a corrida pelos democratas às presidenciais do próximo ano.

Hillary Clinton e os seus correligionários têm fugido do tema durante as últimas semanas e estão convencidos de que ao investigar este caso, os republicanos pretendem, tão-somente, atingir a candidata que lidera a corrida democrata às eleições de novembro de 2016.

Uma das questões mais delicadas que Clinton deverá esclarecer diz respeito à utilização da sua conta privada de correio eletrónico enquanto desempenhou as funções de secretária de Estado, entre 2009 e 2013.

No início de 2014, a comissão presidida pelo republicano Trey Gowdy, um antigo procurador federal, pediu para aceder às mensagens e em maio o Departamento de Estado desclassificou cerca de 300 e-mails, a maioria relativos ao atentado contra o consulado em Bengasi, e em agosto publicou sete mil páginas de correio eletrónico enviadas ou recebidas por Clinton, na qualidade de chefe da diplomacia norte-americana.

Ciente dos efeitos desta audição na popularidade da candidata, Gowdy garante que pretende, acima de tudo, realizar uma investigação séria à morte do à época embaixador dos Estados Unidos na Líbia, J. Christopher Stevens, e de mais três norte-americanos por islamitas que tomaram de assalto a missão diplomática, fortemente armados com metralhadoras, granadas e morteiros.

Para os cinco congressistas democratas que integram a comissão pouco mais haverá a acrescentar ao que já foi publicamente revelado pela meia dúzia de inquéritos já realizados.

A vítima sou eu

“Estou ansiosa por poder responder sobre factos reais quando estiver a depor”, disse Clinton numa entrevista televisiva no início do mês durante a qual lamentou ainda a “partidarização da comissão de inquérito”, já assumida em seu entender pelos republicanos, com o único objetivo de a perseguirem politicamente.

A 8 de setembro, a candidata presidencial que até então tinha minimizado a questão, pediu desculpa. “Foi um erro. Peço desculpa e assumo responsabilidade”, disse durante uma entrevista ao canal ABC.

Foi também na TV que o atual Presidente criticou a antiga secretária de Estado mas assegurou que não colocou em perigo a segurança nacional. “Creio que foi um erro e ela já econheceu. Em geral, quando estamos nestes cargos, temos que ser mais cuidadosos e mantermo-nos o mais retos possível quando se trata da forma como gerimos a nossa informação, como gerimos os nossos próprios dados pessoais. Cometeu um erro, reconheceu-o", disse Barack Obama na cadeia de televisão CBS a 12 de outubro.

“Esta é uma das questões em que creio ser legítimo [fazer perguntas], contudo, o facto de durante os últimos três meses ter sido a única coisa de que se fala indica que estamos em temporada presidencial”, acrescentou.

Mike Pompeo, um dos sete congressistas republicanos que integram a comissão já veio sossegar a opinião pública e os democratas: “Os norte-americanos ficarão orgulhosos quando virem que nos iremos concentrar nos factos”.