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EUA criticam visita de Bashar al-Assad a Moscovo

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FOTO ALEXEY DRUZHINYN/REUTERS

Washington condena que Vladimir Putin tenha estendido a “passadeira vermelha” a Bashar al-Assad, acusando-o de usar “armas químicas contra o seu povo” e de ser ajudado pela Rússia no que diz respeito à transição política no país

Três semanas depois do início dos ataques aéreos russos na Síria, Bashar al-Assad deslocou-se esta terça-feira a Moscovo, naquela que é a sua primeira viagem oficial desde o início do conflito no país em março de 2011. A visita relâmpago do Presidente sírio pretende mostrar ao Ocidente que sem a Rússia não será possível combater o auto-proclamado Estado Islâmico (Daesh), nem pôr termo à guerra civil na Síria.

Como já seria de esperar esta viagem de Bashar al-Assad foi mal-recebida pelos EUA. O porta-voz da Casa Branca, Eric Schultz, criticou o facto de Vladimir Putin estender a “passadeira vermelha” a Bashar al-Assad, acusando-o de usar “armas químicas contra o seu povo” e de ser ajudado pela Rússia no que diz respeito à transição política no país.

Washington considera que os bombardeamentos aéreos na Síria têm também como alvo os opositores ao regime do Presidente sírio, podendo contribuir para o prolongamento do conflito.

Na quarta-feira, após um encontro entre Vladimir Putin e Bashar al-Assad, o porta-voz do Kremlin disse que os dois líderes defenderam que “uma solução de longo prazo [para o conflito] só pode ser alcançada com base num processo político que conte com a participação de todos os grupos políticos, étnicos e religiosos”.

“Estamos dispostos e aptos para dar a nossa contribuição, não só durante a nossa atual operação militar na luta contra o terrorismo, como também durante um processo político”, declarou Putin a Assad.

Do lado sírio, Bashar al-Assad teve a oportunidade de agradecer a intervenção militar russa, sustentando que está a “travar que o terrorismo se torne mais perigoso e disseminado pelo país.”

“O terrorismo que se espalhou pela região teria alcançado territórios muito mas extensos não fossem as suas ações e as suas decisões”, afirmou o líder sírio.

Reunião em Viena marcada para sexta

Entretanto, Moscovo anunciou que os chefes da diplomacia da Rússia e dos EUA, Serguei Lavrov e John Kerry, vão reunir-se com os seus homólogos da Turquia e da Arábia Saúdita, Adel al-Jubeir e Feridun Sinirlioglu, na sexta-feira em Viena para discutir a situação na Síria.

Foi no passado dia 30 de setembro que a Rússia iniciou os bombardeamentos aéreos na Síria alegando que visa destruir o Daesh na região. Os EUA consideram contudo que a ação visa atacar opositores do Presidente sírio e reforçar on apoio ao líder.

Desde o início do conflito da Síria, em março de 2011, mais de 250 mil pessoas terão morrido, segundo as Nações Unidas.