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Internacional

14 deputados de Vanuatu presos por corrupção. Um deles tinha dado um perdão a si mesmo (e aos outros)

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Quando regressou ao país de uma viagem ao estrangeiro, o Presidente Baldwin Lonsdale revogou o perdão

JEREMY PIPER / Getty Images

Receberam subornos durante a votação de uma moção de confiança no Parlamento

Luís M. Faria

Jornalista

Fora de contextos excecionais – golpe de Estado, revolução, etc. - é raro ver metade de um Governo ser preso de uma vez. Acaba de acontecer em Vanuatu, uma república situada na Melanésia. O vice-primeiro-ministro e 14 parlamentares, parte dos quais são ministros, foram condenados por corrupção e levados para a cadeia. O processo tem a ver com a votação de uma moção de confiança num Governo anterior, quando o equivalente a 404 mil euros terão sido gastos a subornar deputados.

O caso já tinha estado nos noticiários internacionais a semana passada, quando Marcelino Pipite, o presidente do Parlamento, resolveu aproveitar uma visita externa do Presidente do país e, assumindo os poderes dele, perdoou todos os acusados, incluindo ele próprio. Quando Baldwin Lonsdale regressou de Samoa, furioso, anulou a medida.

Ao assinar os perdões, Pipite alegou a necessidade de manter a paz no país, mas vários comentadores perguntaram em que é que prender políticos corruptos ameaçava a estabilidade. Agora, o tribunal concordou. A juíza Mary Sey descreveu a corrução como um cancro, considerou fator agravante as elevadas responsabilidades dos réus, e acusou-os de terem minado a credibilidade da instituição a que pertenciam.

“Por esse motivo, requere-se uma sentença de cadeia que exprima plenamente a necessidade de denúncia e prevenção”, disse.