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Bingobingo suspende greve de fome depois da marcação de julgamento

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Albano Bingobingo foi transferido no dia 14 de outubro da penitenciária de São Paulo de Luanda para a prisão da Comarca Central

PAULO CUNHA / LUSA

Os ativistas angolanos Albano Bingobingo e Benedito Jeremias foram espancados com bastões elétricos. A denúncia foi feita pelo eurodeputado Francisco Assis que já pediu à Comissão Europeia que pressione Luanda a prestar cuidados médicos urgentes aos 15 jovens detidos

O ativista angolano Albano Bingobingo, mais conhecido por Albano Liberdade, já suspendeu a greve de fome iniciada a 9 de outubro. O julgamento de Bingobingo foi marcado depois do ativista ter feito 13 dias em greve de fome.

Albano Liberdade integra o grupo de 15 jovens que foram detidos em Luanda, sob a acusação de alegadamente estarem a planear um golpe de Estado.

Em declarações citadas pela SIC Notícias, Albano Bingobingo, confirmou ter terminado a sua greve de fome na última terça-feira, 20 de outubro, depois de ter tomado conhecimento da marcação do seu julgamento, para o período de 16 a 20 de novembro.

Bingobingo estava em greve de fome para protestar contra o prolongamento do prazo da prisão preventiva. A família denunciou o facto de não ter recebido cuidados médicos necessários.

Assis quer que Bruxelas pressione regime de Eduardo dos Santos

O eurodeputado socialista Francisco Assis questionou a Comissão Europeia sobre as diligências que iriam ser feitas para garantir cuidados médicos urgentes a Bingobingo. Em comunicado divulgado esta quarta-feira pela agência Lusa, Assis denuncia o facto de Albano Liberdade não se conseguir manter de pé e não ter recebido “qualquer assistência médica”.

O ativista foi transferido na última quarta-feira, 14 de outubro do hospital-penitenciária de São Paulo de Luanda para a prisão da Comarca Central da capital angolana, onde ocupa a caserna n.º 10-A.

Esta cela costuma estar “reservada a presos por crimes de violação e é descrita por jornalistas como uma pocilga humana” refere o comunicado de Assis.

Assis alerta ainda para os riscos que correm 14 dos 15 jovens detidos em Luanda: O “quase monopólio do caso de Luaty Beirão nos meios de comunicação social pode manter na sombra outros casos de greve de fome, em particular o de Albano Bingobingo, dadas as condições inumanas em que se encontra detido e a ausência de cuidados de saúde”.

O comunicado denuncia o espancamento com bastões elétricos de que foram alvo Bingobingo e Benedito Jeremias, no passado dia 9.

Os 15 suspeitos foram detidos a 20 de junho; têm idades entre os 19 e os 33 anos e são professores, engenheiros, estudantes e um militar, entre outras ocupações. O regime de Eduardo dos Santos desencadeou uma operação policial que deteve 13 jovens ativistas quando participavam na sexta reunião semanal de um curso formação de ativistas.

O regime de Luanda alega que estas reuniões tinham em mente a destituição do Presidente Eduardo dos Santos. Há ainda outros dois jovens em prisão preventiva que foram detidos alguns dias mais tarde.