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Internacional

Nova polémica em França. Refugiados transportados em jatos privados

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Em Calais, cidade portuária do norte da França, estarão colocados neste momento, em acampamentos miseráveis, 4000 migrantes e refugiados na expectativa de chegarem à Grã-Bretanha

YOAN VALAT / EPA

Autoridades francesas contrataram uma companhia de jatos privados para desembuchar os repletos centros de retenção de migrantes em Calais e transferi-los para outros locais do país. Mas a solução é cara e nada resolve: os refugiados são deixados e regressam àquela cidade do Norte

Depois da recente celeuma sobre as vantagens dadas aos migrantes para viajarem nas linhas férreas francesas – isenção de pagamento dos custos das reservas em algumas viagens de longa distância -, o Governo francês envolveu-se numa nova polémica.

Mas, desta vez, a controvérsia ainda poderá ser bem mais complicada. Com efeito, está a ser divulgada desde segunda-feira a informação de que os serviços estatais franceses alugam desde há algumas semanas aviões a jato privados para transportar migrantes de centros de retenção de Calais para outras localidades francesas, como Perpignan, Toulouse ou Nîmes.

Reagindo a esta informção, a extrema-direita diz que o Governo francês “perdeu a cabeça” (Marion Maréchal-le Pen, dirigente da Frente Nacional e sobrinha da líder do partido, Marine le Pen).

O objetivo das autoridades é aliviar a pressão em Calais, a cidade portuária do norte da França onde. de acordo com estimativas fiáveis, estarão neste momento, em acampamentos miseráveis, quatro mil migrantes e refugiados na expectativa de chegarem à Grã-Bretanha.

Mas a decisão de transportar os migrantes em jatos privados provoca polémica porque cada avião apenas tem lugar para cinco refugiados e os custos são astronómicos. Desde o início de outubro, terão já sido realizados 13 voos deste género e cada um custará mais de 20 mil euros. Para realizar este serviço, segundo a rádio Europe1, o Estado francês assinou um contrato com uma sociedade privada pelo valor global de 1,5 milhões de euros por ano. Os aviões serviriam igualmente para transportar polícias na região do norte da França.

Mas há outros problemas, segundo denunciam algumas associações de ajuda aos refugiados: todos, ou quase todos, os migrantes deslocados nestes jatos, chegam ao destino e pouco tempo depois são libertados e regressam a Calais por outros meios. “É um absurdo, todo este dinheiro gasto para nada, quando há tanta necessidade de ajudar os migrantes a viverem melhor”, disse um dirigente associativo àquela rádio francesa.

Mesmo a polícia condena a decisão do recurso aos jatos privados. “ Estas medidas têm custos enormes, nós temos poucos recursos no terreno, precisamos de apoios e meios e, depois, acontece isto: gasta-se dinheiro e a maioria das pessoas regressa semanas depois a Calais!”, exclamou Frédéric Hochart porta-voz da polícia naquela cidade francesa.

“Se tudo isto for confirmado, é caso para nos estrangularmos de indignação”, reage Marine le Pen, candidata às eleições regionais do próximo mês de dezembro precisamente na região de Calais, nas quais é favorita.

Surpreendidos com a polémica, os socialistas parecem desnorteados. “É um meio de transporte, um jato privado não é algo que deve estar reservado aos financeiros e aos ricos, é um meio digno de transporte para as famílias migrantes”, disse Bruno le Roux, presidente do grupo socialista na Assembleia Nacional francesa.