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Histórico: sul-coreanos reúnem-se com familiares na Coreia do Norte

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Park Jong-hwan, de 80 anos, é um dos participantes no reencontro

KIM HONG-JI/REUTERS

São sobretudo idosos. Atravessaram esta terça-feira a fronteira com a Coreia do Norte para se encontrarem com entes queridos, dos quais pouco ou nada sabem há mais de 60 anos

O momento de grande comoção em que cerca de 400 sul-coreanos atravessaram, esta terça-feira, de autocarro, a fortemente armada fronteira com a Coreia do Norte teve grande destaque mediático na Coreia do Sul. No norte do país, os media não deram até agora qualquer relevo à visita destas quatro centenas de cidadãos que chegaram à procura de familiares, dos quais se encontram separados desde o fim da Guerra da Coreia (1950-53).

“Sinto-me mesmo entusiasmada e feliz. Mal consigo esperar para o ver. Vou dar-lhe um abraço e perguntar-lhe como tem passado”, afirmou Oh Cheol-hwan, de 77 anos, citado pela AP, que se irá reencontrar com um irmão de 83 anos. A maioria dos sul-coreanos que participam nesta primeira ronda de reencontros de familiares são idosos, alguns já se movem em cadeira de rodas.

As famílias separadas devido à guerra - que oficialmente ainda não terminou, pois os dois países assinaram apenas um armistício e não um acordo de paz – não tiveram forma de comunicação entre si e em muitos casos não sabiam sequer se os seus familiares ainda são vivos.

Reuniões decididas em agosto

As duas Coreias chegaram a acordo em agosto para retomarem as reuniões de reencontros de famílias. Nesta primeira ronda, 390 sul- coreanos vão ao encontro de 140 familiares do Norte.

Contando com a presença de representantes do regime e dos media, o reencontro terá lugar num salão de uma estância turística no Monte Kumgang e incluirá duas horas de tempo privado antes de terminar, na quinta-feira.

Os sul-coreanos são aconselhados a evitarem estender-se nas perguntas e em especial a deixarem de lado questões sobre o regime político ou sobre as suas condições de vida, embora alguns o desejem fazer.

Dada a enorme emoção associada e a escassez de tempo para conversarem com familiares que já não se veem há tanto tempo, foi mesmo criado um guia que sugere que os sul-coreanos tenham preparado previamente os assuntos sobre os quais querem falar. A data em que os pais morreram é uma das questões que muitos pretendem saber.

As perguntas e a escolhas dos participantes

Kim Ki-joo está a ter dificuldades em perceber o que irá perguntar ao irmão mais velho quando se reencontrarem: “É entusiasmante mas não consigo organizar os meus pensamentos. Penso no que dizer. Estamos a reencontrar-nos após 65 anos, eu tinha 11 anos. Quero perguntar-lhe se me reconhece”, diz, citado pela AP.

Lee Ok-yeon, de 88 anos, irá rever o marido ao fim do mesmo período de tempo. Ela ainda vive na mesma casa que ele construiu. O seu neto Chae Jeong-jae disse aos jornalistas sul-coreanos que Lee lhe perguntou, quando foi informada que iria participar nas reuniões de reencontros, “se era um sonho ou mesmo real” .

A segunda ronda de reencontros decorrerá entre sábado e segunda-feira, quando cerca de 250 sul-coreanos irão estar com 190 familiares do norte no mesmo local.

Na Coreia do Sul, os participantes foram escolhidos de modo aleatório, enquanto os nomes apresentados pela Coreia do Norte foram supostamente selecionados tendo em conta a sua lealdade para com o regime.

O discurso oficial da Coreia do Sul defende a reunificação do país separado pela fronteira do Paralelo 38 desde o fim da guerra da Coreia. Ao longo do seu mandato, a Presidente sul-coreana Park Jong-sun tem tomado algumas iniciativas nesse sentido, mas sem muito eco junto do regime de Pyongyang.