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Fukushima. Tóquio levou quase 5 anos a reconhecer primeira morte por cancro

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Reuters

Quatro anos e meio depois do acidente nuclear, o Ministério da Saúde japonês reconheceu que a leucemia de um trabalhador da central de Fukushima foi provocada pela radiação

O Governo japonês reconheceu, pela primeira vez esta terça-feira, que a leucemia de um trabalhador da central nuclear de Fukushima Daiichi foi provocada pela radiação a que esteve sujeito na sequência do grave incidente de 11 março de 2011. “Este caso preenche todas as condições para ser reconhecido”, disse o ministro da Saúde numa conferência de imprensa, em Tóquio.

Até agora, nenhum caso de cancro diagnosticado em antigos trabalhadores da central tinha sido oficialmente reconhecido como sendo um efeito da exposição aos elevados níveis de radiação registados na sequência do tsunami que assolou o noroeste do Japão há quatro anos e meio.

Este antigo trabalhador, entre outubro de 2012 e dezembro de 2013 em Fukushima, à época na casa dos trinta, agora com 41 anos, tinha trabalhado previamente numa outra central nuclear. “Trata-se de um funcionário de uma companhia subcontratada pela Tepco (Tokyo Electric Power)”, disse à AFP um porta-voz da dona da central de Fukushima Daiichi.

Durante o encontro com a imprensa, o ministro da Saúde revelou ainda que estão a ser investigados mais três casos, participados por antigos trabalhadores.

45 mil trabalhadores desde 2011

Três dos seis reatores da central nuclear de Fukushima Daiichi entraram em fusão algumas horas depois do maremoto que arrasou a costa noroeste do Japão há precisamente 1684 dias, provocando a morte a cerca de 18.500 pessoas.

As explosões então ocorridas provocaram graves danos na estrutura dos edifícios dos reatores e a consequente libertação de grandes quantidades de substâncias radioativas. Nos meses seguintes, quase 45 mil trabalhadores foram encarregados da árdua tarefa de arrefecer, dia e noite, os núcleos dos reatores, recolher os detritos radioativos, gerir milhões de litros de água contaminada e preparar o local para que pudesse, finalmente, ser desmantelado. Todos estiveram sujeitos a níveis de radiação potencialmente cancerígenos.

Até agora, ainda que muitas centenas de habitantes desta região tenham perdido a vida devido à rápida degradação do seu estado de saúde, mesmo depois de terem sido levados para outros locais, nenhuma destas mortes foi reconhecida pelas autoridades oficiais como consequência da exposição à radiação provocada pelo maior acidente nuclear desde Tchernobyl, na Ucrânia, em 1986.

Nem mesmo a morte com um cancro, em julho de 2013, de Masao Yoshida, diretor da central de Fukushima Daiichi à data do acidente, foi reconhecida pelo Ministério da Saúde do Japão como efeito das radiações. Yoshida nunca arredou pé da central nos seis meses seguintes ao trágico acidente.