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Internacional

Vitória histórica da direita anti-imigração na Suíça

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Toni Brunner, presidente da UDC

Romina Amato / Reuters

União Democrática do Centro conquistou quase 30% dos votos. Nunca um partido político tinha alcançado, pelo menos nos últimos 100 anos, tal resultado na Suíça

A direita populista foi a grande vencedora das legislativas deste domingo na Suíça. A União Democrática do Centro ou Partido do Povo Suíço (UDC na sigla francesa e SVP em alemão), anti-imigração e anti-Europa, conquistou 29,4% dos votos. Conquista, dessa forma, 65 lugares na câmara baixa do Parlamento, mais 11 do que nas últimas eleições.

“O povo suíço colocou a imigração no centro destas eleições e mostrou a sua discordância com o Parlamento e com o Governo. Sabemos como lidar com a crise dos refugiados enquanto outros agem como se não houvesse nenhum problema”, disse o líder da UDC, Toni Brunner, que entra para a história ao reforçar a votação alcançada em 2011 (26,6%). Há pelo menos 100 anos que nenhum partido obtinha um resultado tão expressivo nas urnas, faz notar o correspondente da agência Reuters em Zurique.

Em segundo lugar ficou o Partido Socialista, com 18,8% dos votos e 46 mandatos (mais 0,1% mas menos três deputados) e em terceiro outra força de direita, o Partido Liberal Radical (PLR) com 16,4% dos votos e 33 lugares na câmara baixa (mais 1% e mais três deputados). Os Verdes e os Verdes Liberais são os grandes derrotados, tendo perdido quatro e cinco deputados, respetivamente.

Viragem à direita era esperada

Os resultados alcançados pela UDC e pelo PLR não deixaram minimamente surpreendida a imprensa suíça desta manhã. Para o “Neue Zürcher Zeitung” o avanço da direita é um sinal evidente de que as preocupações do eleitorado são bem diferentes das demonstradas até agora pelo Parlamento e pelo Governo. O “Berner Zeitung” e o “Aargauer Zeitung” lembram que os estudos de opinião realizados ainda antes do sufrágio já tinham revelado que as principais preocupações dos suíços eram a imigração, a União Europeia e a vaga de refugiados.

A vitória histórica da direita acontece 20 meses depois do referendo de 9 de fevereiro de 2014, no qual foi aprovada a reintrodução de quotas para imigrantes da União Europeia, tal como defendia a UDC. Os deputados têm até 2017 para rever os tratados bilaterais assinados com Bruxelas, sobretudo o relativo à livre circulação de pessoas.

Bem mais imediatos serão os efeitos sobre a constituição do novo governo (Conselho Federal), formado por sete membros, cada um titular de uma pasta ministerial, com poderes iguais e no seio do qual as decisões são tomadas por consenso. É que o líder da UDC já veio reclamar dois assentos, procurando recuperar uma velha fórmula segundo a qual os quatro partidos mais votados dividem as cadeiras do executivo. Na Suíça é tradição todos os partidos parlamentares estarem representados no Conselho Federal.

Neste momento a UDC, apesar de ter sido o partido mais votado em 2011, tem apenas um lugar. Mas a 5 de dezembro, dia em que será votada no Parlamento a formação do novo executivo, caso Toni Brunner apresente um segundo candidato válido, terá de ser levado a sério.