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Internacional

Polícia de Chicago acusada de fazer mais de 7000 detenções à margem da lei

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Uma reportagem do “The Guardian” investigou o funcionamento de um armazém secreto na cidade, usado pelas autoridades como centro de detenção e interrogatório. Testemunhas ouvidas pelo jornal dizem que o lugar funciona à margem da lei, perdendo-se o rasto a muitas das pessoas que aí acabaram detidas

Mais de 7000 pessoas foram detidas pela polícia de Chicago sem delas haver registo nas bases de dados oficiais ou serem abertos processos públicos. Na generalidade dos casos, foram interrogadas em condições à margem da lei.

O número é avançado pelo “The Guardian”, na sequência de uma investigação própria, já noticiada em agosto e agora com novos detalhes, denunciando a utilização pelas autoridades da cidade de um armazém, conhecido como “Homan Sqare”, transformado em secreto e questionável centro de interrogatórios, segundo acusam as fontes ouvidas pelo jornal, entre ex-detidos e advogados que conhecem o espaço em causa.

Se em agosto o “The Guardian” situava o número de detenções aí efetuadas em 3.500, os novos dados recolhidos apontam para um total superior: 7185. A reportagem questiona o “modus operandi” policial, que viola os direitos constitucionais dos detidos - negando-lhes na maior parte dos casos o acesso a um advogado ou a possibilidade de fazerem uma chamada para o exterior -, mas também o caráter discriminatório das detenções efetuadas.

Entre agosto de 2004 e junho de 2015, quase 6000 das detenções visaram negros, revelam registos internos da polícia a que o jornal teve acesso, ainda que apenas em 68 dos casos os acusados tivesses podido recorrer a um advogado ou informar os familiares do seu paradeiro.

O jornal cita exemplos dos abusos policiais cometidos, referindo o testemunho de 22 pessoas, que afirmaram ter sido mantidas em Homan durante horas ou mesmo dias, sem hipóteses de fazer qualquer contacto. A pressão para se transformarem em informadores da polícia faz parte da rotina, garantiram também, havendo quem sublinhe que, uma vez dentro do armazém, o destino de muitos dos detidos passa a ser uma incógnita.

“Aquele lugar era e é assustador. Não há nada nele que lembre uma esquadra normal. Parece saído de um filme de James Bond ou algo assim”, afirmou ao “The Guardian” David Gaeger, um advogado cujo cliente foi levado para Homan em 2011, após ser detido por posse de marijuana.

Ainda que a polícia não tenha respondido às questões formuladas pelo jornal, um comunicado posterior do departamento garante que nada de “perverso” se passa no armazém situado no lado oeste de Chicago.