Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Identificados dois suspeitos de atentado que matou 270 pessoas há 27 anos

  • 333

O avião da Pan Am caiu em 1988 sobre Lockerbie, na Escócia, causando 270 mortos

Getty

Tragédia aconteceu nos céus de Lockerbie, na Escócia - um avião que ligava Londres a Nova Iorque explodiu no ar. Um dos suspeitos é cunhado do antigo líder da Líbia Muammar Khadafi

Helena Bento

Jornalista

Dois suspeitos do atentado de Lockerbie, que em 1988 provocou a morte de 270 pessoas, foram identificados por uma equipa de procuradores americanos e escoceses, informou esta sexta-feira o jornal britânico "The Guardian".

Apesar de o Serviço da Coroa e Gabinete do Procurador-Geral Fiscal (COPFS, na sigla em inglês), entidade responsável pelo exercício da ação penal na Escócia, não ter revelado o nome dos suspeitos, acredita-se que se trate de Abdullah al-Senussi, cunhado do antigo líder da Líbia Muammar Khadafi e ex-chefe dos serviços secretos durante o regime de ditadura no país, atualmente detido numa prisão na Líbia, e Nasser Ali Ashour, responsável dos serviços secretos acusado de fornecer explosivos e armas ao IRA (Exército Republicano Irlandês) nos anos de 1980.

Os dois líbios são suspeitos de terem colaborado com Abdelbaset al-Megrahi (conhecido como o "bombista de Lockerbie"), o único condenado pelo atentado. Esteve preso até 2009, condenado a prisão perpétua, mas acabou por ser libertado pela justiça escocesa por razões humanitárias, numa decisão muito contestada na Escócia e nos EUA. Morreu três anos depois, aos 59 anos, vítima de cancro.

Um outro suspeito, Abu Agila Mas’ud, também se encontra detido numa prisão líbia, depois de ter sido acusado de ter fabricado a bomba que explodiu no interior do avião da Pan Am. Foi condenado a dez anos de prisão.

De acordo com o "Guardian", foi enviada uma carta ao procurador-geral da Líbia a pedir autorização para entrevistar os dois suspeitos. A notícia foi bem recebida por alguns familiares das vítimas, entre os quais Susan Cohen, de Nova Jérsia (a sua filha foi uma das pessoas que morreu durante o atentado - tinha na altura 20 anos), que louvou a decisão, sobretudo porque sempre acreditou que Abdelbaset al-Megrahi não fora o "único culpado" do crime, refere o jornal britânico.

Apesar de, com isto, ter sido dado um passo significativo nas investigações, não é crível que os dois suspeitos líbios venham a ser julgados na Escócia, já que ambos se encontram detidos em prisões líbias (Abdullah al-Senussi foi, aliás, condenado a prisão perpétua).