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Continuam a matar animais históricos no Zimbabwe

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Fotografias de um elefante morto - talvez o maior caçado no país desde há 30 anos - voltaram a recordar o caso do leão morto por um dentista norte-americano há algumas semanas. Desta vez, o caçador é alemão e pagou mais de 50 mil euros para abater o animal

Com o episódio da morte do leão Cecil ainda fresco e a dar que falar, a história repete-se no Zimbabwe, envolvendo desta vez um caçador alemão e um elefante - talvez o maior que foi morto nos últimos 30 anos.

O animal tombou no dia 8 de outubro, durante uma caçada privada, junto ao Parque Nacional de Gonarezhou, conta o “The Telegraph”. Sobre o caçador apenas foi referida a nacionalidade e o montante que terá pago para participar na jornada de caça: 60.000 dólares (cerca de 52 mil euros).

Celebrada entusiasticamente nalgumas contas nas redes sociais, com a partilha das fotografias do elefante, esta morte voltou a lançar a polémica, até pelo porte do animal. Seria mesmo um dos maiores em África, com 40 a 60 anos, de acordo com o que se estima, e só os dentes pesariam mais de 50 quilos. Apesar disso, não consta que tenha sido visto antes na região.

Sem certezas, especula-se que se trate de Nkombo, um elefante sul-africano que chegou a estar identificado, mas que terá perdido o colar em 2014. Isso significaria que o animal atravessou a fronteira, deixando o Parque Nacional Kruger, o que parece pouco provável - de acordo com o “The Telegraph” - pelo facto de o elefante aí ter sido avistado no dia 3 de outubro.

Entre as muitas vozes críticas que se levantaram, considerando essencial a preservação de animais como o que agora foi morto, há quem defenda o caçador alemão. O homem que o ajudou a organizar a caçada, embora preferindo não se identificar, considera que nada de ilegal está em causa. “Foi uma caçada legal. E isto é bom para o Zimbabwe e bom para as gentes locais”, afirmou, acrescentando que a sua organização paga cerca de 70% em taxas e respeita as quotas de caça definidas.

Várias dezenas de elefantes envenenados

A notícia surge na mesma altura em que perto do parque de Hwange, no Zimbabwe, foram descobertas as carcaças de 26 elefantes, envenenados com cianeto, depois de na semana anterior funcionários do local terem encontrado outros 14 elefantes mortos.

As mortes estão a ser investigadas, ao mesmo tempo que aumentaram as patrulhas do parque. “O envenenamento por cianeto está a tornar-se um grande problema e estamos a lutar para o travar”, disse à Associated Press Trevor Lane, fundador da Bhejani Trust e um conhecido conservacionista.

A verdade é que o veneno é amplamente utilizado na indústria de mineração do Zimbabwe e, por isso, um produto fácil de obter. Só em 2013, cerca de 300 elefantes morreram envenenados no parque Hwange.

Entretanto, um caçador do Zimbabwe acusado de nada ter feito para impedir que Cecil fosse morto lamentou a destruição do seu negócio por causa da polémica e pediu para que as acusações contra si sejam retiradas. E recorda que o próprio caçador norte-americano, responsável pela morte do leão, não vai ser julgado - o Governo considera que o dentista estava na posse de uma licença para caçar.

  • O homem mais odiado da Internet foi ilibado

    Walter Palmer tem 55 anos, é dentista nos EUA e o mundo ficou a conhecê-lo após a morte de Cecil, leão de 13 anos considerado símbolo nacional do Zimbabué. Foi ilibado da morte do animal, mas há dois homens que continuam a ser acusados