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“Um crime horrível”: ativista transgénero assassinada violentamente na Argentina

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Homicídio acontece pouco tempo depois de terem sido assassinadas outras duas mulheres transgénero. Governo argentino apela à responsabilização dos culpados

Helena Bento

Jornalista

Diana Sacayan, que foi assassinada, durante uma visita a Havana, em maio deste ano

Diana Sacayan, que foi assassinada, durante uma visita a Havana, em maio deste ano

ALEJANDRO ERNESTO

Uma ativista argentina dos direitos LGBT foi encontrada morta no seu apartamento em Buenos Aires, capital da Argentina. É a terceira morte de uma mulher transgénero registada no último mês no país.

A Amnistia Internacional confirmou na quarta-feira que o corpo de Diana Sacayan, ativista de 40 anos muito conhecida em Buenos Aires, apresentava sinais de violência. A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, que em 2012 entregou pessoalmente à ativista o seu cartão de identidade, em que esta era reconhecida como mulher, juntou-se à Amnistia para apelar à justiça no país.

"Peço aos serviços de segurança nacional e à polícia metropolitana que resolvam este crime horrível", disse Cristina Kirchner, citada pelo "Guardian".

O homicídio da ativista argentina acontece pouco tempo depois de terem sido assassinadas outras duas mulheres transgénero, Marcela Chocobar e Coty Olmos, cujos corpos foram encontrados no mês passado nas províncias argentinas de Santa Fé e Santa Cruz.

"Uma nuvem negra instalou-se sobre a comunidade transgénero da Argentina. Se esta nova vaga de homicídios não for efetivamente investigada, nem condenados os seus responsáveis, será transmitida a ideia que atacar mulheres transgénero no país é aceitável", disse Mariela Belski, diretor executiva da Amnistia Internacional argentina, também citada pelo "Guardian".

A Argentina é um dos poucos países que permite aos cidadãos alterarem o seu género no documento oficial de identificação. Segundo o jornal britânico, que refere, embora sem especificar, organizações de defesa dos direitos humanos, os países da América Latina apresentam uma das taxas mais elevadas de crimes envolvendo pessoas transgénero.

Segundo a "Transgender Europe", organização também vocacionada para a defesa dos direitos humanos, 78% dos homicídios de pessoas transgénero registados em todo o mundo entre janeiro de 2008 e dezembro de 2014 ocorreram na América Latina.