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Serviços secretos alemães suspeitos de espiarem França e EUA por conta própria

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Imprensa germânica escreve que estas espionagens duraram anos. É mais um caso polémico a envolver as secretas alemãs. Ministro da Justiça reagiu e pede regras mais apertadas

Os serviços secretos da Alemanha terão alegadamente espiado, por conta própria, vários líderes de outros países aliados, como França e Estados Unidos, avançou esta quinta-feira a comunicação social alemã.

Os serviços federais de informação externa alemães (BND) já tinham sido acusados anteriormente de terem espiado alegadamente para a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos vários responsáveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, da presidência francesa e da Comissão Europeia.

A rádio pública alemã RBB e a edição online da revista Der Spiegel avançaram esta quinta-feira que os serviços secretos alemães terão igualmente espiado, desta vez por conta própria, várias embaixadas e governos "de países europeus e aliados", nomeadamente a França e os Estados Unidos, sem que isso constasse das suas atribuições.

Esta prática terá durado vários anos, antes de ter terminado no outono de 2013, acrescentaram os dois meios de comunicação alemães, sem indicarem fontes.

Numa reação a estas novas informações, o ministro da Justiça alemão, Heiko Maas, defendeu esta quinta-feira que os serviços secretos alemães devem ser submetidos "a regras mais restritas". "Devemos também assegurar que essas regras são aplicadas", afirmou o representante do executivo de Berlim, em declarações ao diário Rheinische Post, frisando ainda que "o Estado de direito e os direitos fundamentais não terminam nas fronteiras alemãs".

A comissão parlamentar alemã encarregada de investigar as práticas de espionagem reveladas nos últimos anos foi informada na quarta-feira sobre estas novas alegações e deverá ouvir na próxima semana elementos do BND, segundo a rádio pública alemã e a revista Der Spiegel.

No outono de 2013, a revelação de informações que davam conta que o telemóvel da chanceler alemã, Angela Merkel, estava sob escuta provocou fortes tensões entre Berlim e Washington.
"A espionagem entre amigos, isso não deve existir", afirmou então Merkel. "Precisamos de confiança entre parceiros, e essa confiança deve ser restaurada", insistiu na mesma altura a chanceler alemã.

Estas informações surgiram na sequência das denúncias de Edward Snowden, o ex-consultor informático da NSA que revelou ao mundo a existência de um programa de espionagem em larga escala dos serviços secretos norte-americanos. Posteriormente, os serviços secretos alemães foram envolvidos na polémica, tendo sido acusados de espionar países europeus aliados em nome da NSA.