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“Segurança Nacional”: o grafíti virou-se contra o grafitado

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Jim Fiscus

As mensagens que se veem nos muros e paredes do campo de refugiados que aparece no segundo episódio da mais recente temporada de “Homeland” são, afinal, críticas à própria série

Helena Bento

Jornalista

Três dos artistas contratados pela série “Segurança Nacional” (“Homeland” no original) para pintarem grafítis e mensagens em árabe nos muros e paredes do campo de refugiados a que Carrie se desloca no segundo episódio revelaram que as frases escritas por eles são, afinal, críticas à própria série.

Num artigo publicado online, Heba Amin, Caram Kapp e Stone dizem que, “dada a reputação da série”, só consideraram aceitar a proposta que lhes foi feita pela produção em junho, quando perceberam que podiam aproveitar a oportunidade para manifestar o seu descontentamento em relação à série norte-americana. E foi isso que fizeram, recorrendo a frases como “Homeland é uma piada que não nos faz rir”, “Homeland é lixo”, “Homeland não é uma série”, “Homeland é racista” e “esta série não representa a visão dos artistas”.

Apesar de polémicas, as frases passaram despercebidas à equipa de produção, que “esteve demasiado frenética durante a gravação do episódio para conseguir prestar atenção aos artistas”, encarando o seu trabalho "meramente como um suplemento visual que completa o horror-fantasia do Médio Oriente”, lê-se também no artigo.

Em entrevista ao “Guardian”, Heba Amin, uma das artistas, disse que a série “perpetua estereótipos perigosos ao transformar uma região inteira numa farsa através da deturpação grosseira que alimenta a narrativa de propaganda política”. Para a artista é muito claro que os produtores de “Homeland” “não conhecem a região que estão a tentar representar”.

A produtora da série norte-americana, a Showtime, ainda não se pronunciou em relação ao assunto, mas o criador e produtor executivo do programa, Alex Gansa, disse ao site "Deadline" que era “preferível ter conhecido estas imagens antes de o episódio ser transmitido”.

Sublinhou, no entanto, que a série “sempre tentou ser subversiva e constituir um estímulo ao diálogo”, e que este “ato de sabotagem artística” merece ser, por isso, “admirado”.

"Homeland", cuja quinta temporada estreou este mês, tem sido duramente criticada pela forma como tem abordado o mundo muçulmano e a relação aparentemente amistosa entre a Al-Qaeda e o Hezbollah.

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