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Parlamento Europeu levanta imunidade a deputado acusado de espionagem a favor da Rússia

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Laszlo Balogh / Reuters

Bela Kovacs, que pertence a um partido de extrema-direita, é um visitante habitual em Moscovo

Luís M. Faria

Jornalista

O Parlamento Europeu levantou a imunidade a Bela Kovacs, um deputado húngaro do partido Jobbik (extrema-direita), que é acusado de espionagem a favor da Rússia. A decisão foi confirmada esta quarta-feira em miniplenário, após a recomendação da Comissão de Assuntos Jurídicos.

É a primeira que acontece na história deste órgão e, para além das circunstâncias da situação concreta, reflete o clima atual de tensão entre os Governos ocidentais e o de Vladimir Putin.

Kovacs, que tem 54 anos, é há muito um visitante frequente da Rússia. Já em 2010, ao que parece, foi investigado por causa disso. No ano passado terão surgido novas informações e o procurador-geral húngaro abriu um inquérito, relativo a atividades suspeitas do deputado na Europa. Mas para conseguir mais dados e interrogar Kovacs precisava da autorização formal do Parlamento Europeu, que solicitou em maio de 2014.

A autorização foi obtida esta quarta-feira com o voto contra da Frente Nacional, o partido fundado por Jean-Marie le Pen e atualmente dirigido pela sua filha Marine. A Frente Nacional, como outros partidos de extrema-direita, tem uma aliança estratégica com a Rússia no que toca à União Europeia, que ambas atacam.

Tanto a Frente Nacional como o Jobbik parecem ter recebido dinheiro da União Europeia. E Peter Kreko, director de um think tank húngaro que tenta acompanhar as manobras do Kremlin na Europa, fala de “influência institucional” russa sobre determinados partidos europeus.

Pela sua parte, Kovacs nega as alegações. Nos termos da autorização agora dada pelo Parlamento Europeu, ele só pode ser investigado por atos cometidos a partir de 2014. E não pode ser detido enquanto não estiver formalmente condenado. Até lá, mantém-se como eurodeputado.