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Assange precisa de ir ao hospital. Reino Unido garante que o prende se sair à rua

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John Stillwell / AFP / Getty Images

É o último episódio de um impasse entre dois Governos, que já dura há anos

Luís M. Faria

Jornalista

As autoridades britânicas recusaram dar garantias de que Julian Assange não será preso se deixar a embaixada do Equador para receber tratamento médico. O fundador da Wikileaks precisa de fazer uma ressonância magnética, devido a um problema num ombro. Mas foi informado de que a ordem judicial para o prender e extraditar continua em vigor.

O médico de Assange diz que ele sofre dores constantes e severas há pelo menos três meses. Sem uma ressonância magnética, que tem de ser feita num hospital, não é possível um diagnóstico preciso. A 30 de setembro, o Governo do Equador solicitou ao seu homólogo britânico um salvo-conduto com a duração de algumas horas. A resposta, agora conhecida, foi negativa. Assange pode sair da embaixada, mas não ficará em liberdade.

Escolher entre dois direitos humanos

Carey Shenk, o advogado londrino de Assange, protestou: “Ao afirmar que o Sr. Assange tem de desistir do seu asilo para receber tratamento médico, o governo do Reino Unido está a obrigá-lo a escolher entre o direito humano ao asilo e o direito humano a tratamento médico. Ninguém devia ter que enfrentar essa escolha. A Suécia e o Reino Unido têm a responsabilidade de garantir que os direitos básicos do Sr. Assange são respeitados. Devem chegar a acordo sem mais demora para permitir a passagem segura do sr. Assange para um hospital, por razões humanitárias."

Australiano, Assange encontrava-se no Reino Unido quando foi acusado de violação e outros crimes sexuais na Suécia, que pediu a sua extradição. Ele sempre disse que o objetivo final é enviá-lo para os Estados Unidos, e recorreu do pedido. Após perder todos os recursos judiciais, refugiou-se na embaixada do Equador. Esse país concedeu-lhe asilo, mas o Reino Unido recusou deixá-lo viajar para lá e instalou polícias à porta da embaixada.

Só há dias anunciou que os ia retirar, por causa da despesa (11 milhões de libras, i.e. 15 milhões de euros), mantendo porém a vigilância em formas mais discretas. Uma porta-voz da Wikileaks sugeriu que poderá ser um estratagema para diminuir os protestos públicos. “Não muda fundamentalmente a situação”, explicou. Na ONU, o grupo de trabalho sobre detenções arbitrárias deverá pronunciar-se muito brevemente sobre o assunto.