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Hillary Clinton agressiva no primeiro debate dos democratas

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Os candidatos à nomeação democrata enfrentaram-se pela primeira vez na noite desta terça-feira

LUCY NICHOLSON

O debate não deu espaço aos candidatos que reúnem menos apoio dentro do partido para se destacarem. Hillary defendeu a sua política externa e sublinhou aquele que tem sido apontado como um dos seus maiores trunfos: ser mulher

A candidata democrata melhor colocada para as presidenciais norte-americanas, Hillary Clinton, enfrentou pela primeira vez, era madrugada de quarta-feira em Portugal, os rivais que disputam consigo a nomeação do Partido Democrata. O senador Bernie Sanders foi o candidato que mais se destacou, posicionando-se contra Hillary em assuntos como o envolvimento norte-americano no Médio Oriente, o controlo do uso de armas ou as políticas económicas que devem ser adotadas.

Bernie Sanders, que tem vindo a ganhar terreno à provável candidata do Partido Democrata - neste momento, conta com o apoio de 32% dos democratas, contra 56% de Hillary - descreveu-se como um democrata socialista, demarcando-se do sistema económico norte-americano, “um processo capitalista ao estilo de um casino que faz com que tão poucos tenham tanto”. No entanto, Hillary aproveitou para sublinhar que as propostas avançadas pelo seu principal rival não são “suficientemente duras” no que toca ao controlo do uso de armas.

Sanders recorreu ainda à política externa para atacar Hillary, classificando a guerra no Iraque como “o pior erro de política externa na história dos Estados Unidos”, para acrescentar que não apoiaria o envio de mais tropas para aquele conflito do Médio Oriente. No entanto, Clinton não deixou que o ataque a atingisse: “Ninguém apoia, Senador”, contrapôs.

A primeira mulher na Casa Branca?

A estratégia de Hillary voltou a passar por lembrar que, se ganhar, será a primeira mulher Presidente dos Estados Unidos, o que poderá “distinguir bastante” o seu mandato do do atual Presidente, Barack Obama. Mais agressiva do que é seu hábito, a ex-secretária de Estado revelou quais os enemigos que fez com maior orgulho: “Para além da National Rifle Association (NRA, na sigla em inglês; associação que defende o porte de armas de fogo), as companhias de seguros médicos, os iranianos... provavelmente, os republicanos”, disse, exibindo a confiança que está a ser apontada como o seu maior trunfo no debate democrata.

Apesar dos ataques entre os dois principais candidatos à nomeação democrata, houve momentos de convergência. Questionado sobre o escândalo dos e-mails que Hillary enviou a partir de uma conta de correio eletrónico ilegal, Sanders foi direto: “Acho que as pessoas estão fartas de ouvir falar sobre os e-mails”. Hillary agradeceu a solidariedade.

Para além de Bernie Sanders e Hillary Clinton, marcaram presença no debate o antigo governador de Maryland, Martin O'Malley; um senador do estado da Virginia, Jim Webb; e o antigo senador e governador de Rhode Island, Lincoln Chafee. Falta ainda saber se o vice-presidente norte-americano, Joe Biden, se junta à corrida presidencial.

Quem acompanhou atentamente o debate foi Donald Trump, o candidato republicano melhor colocado nas sondagens para disputar a corrida à Casa Branca. Através da sua conta do Twitter, Trump queixou-se de estar a assistir a um confronto pouco interessante, afirmando não estar ali presente nenhuma “estrela”. O republicano aproveitou ainda para menosprezar a estratégia de política externa de Hillary, afirmando que não lhe parecia que Putin estivesse “com medo”.

Veja a mensagem que o atual Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deixou aos candidatos democratas minutos antes do início do debate, incentivando-os a lutar para conseguir aquele que pode vir a ser o terceiro mandato democrata consecutivo na Casa Branca.