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Dilma discursa contra “golpismo escancarado” da oposição

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Se o Senado decidir continuar com o processo de destituição, Dilma Rousseff é suspensa de funções durante seis meses.

ADRIANO MACHADO

Dilma Rousseff proferiu esta terça-feira um dos discursos mais inflamados do seu mandato. A Presidente brasileira questionou quem a ouvia: Quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficientes para atacar a minha honra?”

A Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, acusou a oposição, nesta terça-feira, de tentativa de golpe contra o seu Governo. Responsabilizando a oposição brasileira por aquilo que descreve como “um golpismo escancarado”, Dilma pediu à população que se una contra a “intriga política”.

Falando num evento da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a governante protagonizou um dos discursos mais inflamados deste mandato. Para Dilma, os seus opositores estão a “espalhar ódio e intolerância” com o objetivo de “encurtar o caminho até ao poder”, sem que existam provas materiais para acabar com o seu mandato.

Durante a sua intervenção, Dilma argumentou que o “golpe” visa atingir “o projeto que fez do Brasil um país que superou a miséria”, ou seja, “as conquistas históricas do Presidente Lula da Silva”. E questionou quem assistia: "Pergunto com toda a franqueza: quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficientes para atacar a minha honra?”

Quem ouviu Dilma - para além das lideranças sindicais - foi o seu antecessor, o ex-Presidente Lula da Silva, acompanhado pelo ex-Presidente do Uruguai José Mujica. Reagindo ao tom inflamado de Dilma, a plateia gritou várias vezes que “não vai haver golpe”.

A liderança de Dilma encontra-se debaixo de fogo após a inédita recusa do Tribunal de Contas em validar as suas contas para 2014 ter motivado pedidos de “impeachment”, ou impugnação de mandato, por parte da oposição. O Tribunal revelou que o Executivo terá usado dinheiros públicos para ocultar dívidas no orçamento do ano passado.

O Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, acabou nesta terça-feira por rejeitar cinco pedidos de destituição contra Dilma, por considerar que estes não cumpriam as exigências técnicas necessárias. Eduardo Cunha já tinha arquivado outros seis pedidos pelos mesmos motivos, mas tem ainda três solicitações para analisar - entre elas a de um grupo de conhecidos juristas, incluindo Hélio Bicudo, um dos fundadores do partido de Dilma, o Partido dos Trabalhadores.