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Atentado em Ancara. Governo turco prende suspeitos e afasta polícias

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Domingo, dia 11, milhares de pessoas concentraram-se junto à praça de Ancara onde no sábado um duplo atentado suicida vitimou pelo menos 97 pessoas

Umit Bektas / Reuters

Depois do Presidente Recep Tayyip Erdogan ter admitido falhas do Estado, o ministro do Interior anunciou a suspensão de três altos responsáveis da polícia, para que não possam manipular o inquérito em curso, e a detenção de dois suspeitos

O ministro do Interior da Turquia suspendeu três altos responsáveis da polícia de Ancara procurando, desta forma, impedir uma eventual contaminação do inquérito em curso e anunciou a detenção de dois elementos com alegadas ligações ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), suspeitos de terem tido conhecimento prévio do atentado terrorista que fez pelo menos 97 mortos e mais de 200 feridos.

De acordo com uma nota publicada no site do Ministério do Interior, os três altos responsáveis agora suspensos são: o diretor-geral da polícia de Ancara, o diretor dos serviços de informação e o diretor da segurança pública. Sobre os suspeitos, um assessor do ministério limitou-se a dizer que estão a “tentar perceber como tiveram conhecimento antecipado do ataque”.

Esta terça-feira, o Presidente Recep Tayyip Erdogan reconheceu a existência de possíveis falhas do Estado e ordenou a abertura de um inquérito ao atentado mais sangrento da história recente da Turquia que será conduzido pelo Conselho de Inspeção do Estado (DDK) que investigou, por exemplo, as circunstâncias controversas da morte, em 1993, do ex-Presidente Turgut Ozal.

“Houve, sem dúvida, um erro, uma falha em algum momento. De que dimensão? É o que o inquérito deverá esclarecer”, disse o chefe de Estado turco aos jornalistas, recusando demitir os ministros do Interior e da Justiça, como pediu a oposição.

Esta quarta-feira, Erdogan, juntamente com o seu homólogo finlandês, Sauli Niinistö, prestou homenagem às vítimas depositando uma coroa de flores em frente à estação ferroviária onde dois bombistas suicidas se fizeram explodir no meio de uma multidão que participava numa marcha a favor da paz, convocada por sindicatos e forças de esquerda e pró-curdas em protesto contra a retoma, no final de julho, dos confrontos armados entre o exército de Ancara e a guerrilha do PKK, pondo termo às negociações iniciadas no final de 2012.

O atentado de sábado, acontece num momento especialmente delicado da situação política na Turquia. Fracassadas as conversações para formar um governo de coligação, na sequência das eleições de 7 de junho que colocou no poder um governo minoritário, o Presidente turco decidiu marcar novas legislativas para 1 de novembro. Recorde-se que em junho o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), liderado precisamente pelo islâmico conservador Erdogan, no poder desde 2002, perdeu a maioria absoluta (que pretende agora recuperar) e concedeu ao Partido Democrático do Povo (HDP), pró-curdo, a sua primeira representação parlamentar.

Com a luta política ao rubro, o HDP responsabilizou o Presidente Erdogan e o Governo minoritário do primeiro-ministro Ahmet Davutoglu pelo atentado de sábado chegando mesmo a afirmar que faz parte de uma estratégia do AKP para amedrontar o eleitorado, fomentando a abstenção e criando condições para recuperar a maioria absoluta.

Numa entrevista esta segunda-feira em direto no canal NTV, Ahmet Davutoglu disse que as investigações apontam para o envolvimento do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).