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Síria: UE quer fim de bombardeamento contra “oposição moderada”

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O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, com o seu homólogo alemão, Frank-Walter Steinmeier

FOTO JULIEN WARNAND/EPA

A União Europeia diz que os bombardeamentos russos contra a oposição moderada na Síria devem “cessar imediatamente”. Para a diplomacia europeia, que esteve reunida esta segunda-feira no Luxemburgo, a Rússia deve coordenar-se com a UE e os Estados Unidos

Para a Rússia um recado europeu: Devem “cessar imediatamente” os ataques aéreos à oposição moderada síria. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia criticam e pedem o fim dos bombardeamentos russos na Síria - que não tenham como alvo o autoproclamado Estado Islâmico, nem grupos considerados terroristas no âmbito das Nações Unidas.

“É preciso esclarecer a posição russa no que diz respeito aos bombardeamentos”, disse o ministro português dos Negócios Estrangeiros, no final da reunião que decorreu esta segunda-feira no Luxemburgo. Segundo Rui Machete é necessário ainda que fique clarificado o objetivo da intervenção russa na Síria. Desde que começaram os ataques aéreos russos naquele país, que Vladimir Putin é acusado de ajudar o regime de Bashar al-Assad, ao atacar militarmente a oposição ao regime.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros consideram que o Presidente sírio “não deve ser um parceiro na luta contra as forças do Estado Islâmico”. Nas conclusões da reunião de hoje dizem ainda que Bashar al-Assad é responsável por milhares de mortos e milhões de deslocados.

De acordo com Rui Machete, existem ainda divergências entre países europeus sobre qual deve ser o papel do Presidente da Síria numa solução para o conflito. “Concluiu-se que Assad não deve ser um elemento permanente do processo político, mas há que encontrar soluções compatíveis com a federação russa”, explicou o ministro português.

A Alta Representante da UE para a política externa, Federica Mogherini, defendeu ainda a necessidade de coordenação entre a União Europeia, os Estados Unidos e a Rússia. Um entendimento que para já não existe e que se assim continuar pode ser problemático do ponto de vista político e militar.

UE mais confiante numa solução para a Líbia

Já no que diz respeito à Líbia, os ministros dos Negócios Estrangeiros veem sinais positivos no acordo para a formação de um Governo de unidade nacional, proposto pelas Nações Unidas. A UE apela agora a que os partidos líbios apoiem o acordo e se unam por uma solução pacífica para o país.

“Estamos no bom caminho”, acredita Rui Machete. Para o chefe da diplomacia portuguesa, a solução do problema líbio tem importância no combate ao terrorismo e em matéria de migração porque “permite que sejam regulados os aspectos relacionados com as migrações no Mediterrâneo”.

No Luxemburgo, os ministros dos Negócios Estrangeiros abordaram ainda a questão das migrações e reforçaram a importância da parceria com a Turquia para travar os fluxos migratórios e de refugiados. Para Rui Machete, o atentado de sábado passado, em Ancara, não prejudica as “negociações bilaterais que se vão desenvolver a breve trecho”.

O tema das migrações passa agora da reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros para a Cimeira de chefes de Estado e de Governo que decorre na quinta-feira e sexta-feira, em Bruxelas.