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Secretário-geral da NATO abre fogo sobre os russos

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NTB SCANPIX

Rússia, Rússia, Rússia… por nove vezes se referiu Jens Stoltenberg, esta segunda-feira na assembleia parlamentar da NATO, ao país de Vladimir Putin. E em nenhuma delas foi para elogiar a sua intervenção na Ucrânia e na Síria

Carlos Abreu

Jornalista

Se a Rússia não adotar uma atitude construtiva no combate ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) na Síria e apoiar o regime do Presidente Bashar al-Assad, estará apenas a prolongar o conflito, defendeu esta segunda-feira o secretário-geral da NATO (OTAN na sigla em português).

“Nunca uma solução política foi tão necessária. Apoiamos e encorajamos todos os esforços das Nações Unidas, entre outros, para alcançar um acordo negociado para o conflito na Síria. Necessitamos, igualmente, de uma solução pacífica para a Ucrânia”, disse Jens Stoltenberg perante a assembleia parlamentar da NATO, reunida em Stavanger, na Noruega.

O homem que lidera a aliança militar criada em 1949, onde um ataque contra um dos 28 membros deverá desencadear uma resposta coletiva, garantiu ainda que, caso necessite, a Turquia pode contar com a ajuda da Aliança Atlântica.

Recorde-se que a 3 de outubro a Força Aérea turca enviou os seus F-16 ao encontro de uma aeronave militar russa que estaria a violar o seu espaço aéreo, junto à fronteira com a Síria. Dois dias depois, em comunicado divulgado após uma reunião de emergência do Conselho do Atlântico Norte, convocada por Jens Stoltenberg, a NATO reafirmou a sua “profunda preocupação” com o envolvimento militar russo na Síria e assegurou que os ataques aéreos em Hama, Homs e Idleb causaram vítimas civis “e não visaram o Daesh”.

Esta segunda-feira, ao discursar perante os deputados em representação dos diversos parlamentos dos 28 Estados-membros da Aliança, Jens Stoltenberg, de 56 anos, argumentou que “esta instabilidade que nos cerca é a nossa nova realidade estratégica e veio para ficar”. Por isso, acrescentou, “a Aliança tem de se adaptar”.

Como? Em primeiro lugar modernizando a sua capacidade de dissuasão, aumentando, por exemplo, a interoperacionalidade das forças terrestres, marítimas e aéreas, porque só assim será possível responder ao “segundo desafio [da Aliança Atlântica]: o nosso relacionamento com a Rússia”, disse Stoltenberg.

“Penso que uma defesa forte constitui a base de um relacionamento construtivo com a Rússia” afirmou o secretário-geral da NATO. E numa antevisão do futuro próximo da Aliança, Jens Stoltenberg insistiu: “Não haja dúvidas. Comprometimento não significa aceitar o status quo, ou dar carta branca à Rússia. À medida que se aproxima a Cimeira de Varsóvia [marcada para 8 e 9 de julho de 2016], seremos confrontados com aos efeitos de longo prazo da atual crise no relacionamento com a Rússia”.