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O homem mais odiado da Internet foi ilibado

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Walter Palmer à chegada ao trabalho

Eric Miller/ Reuters

Walter Palmer tem 55 anos, é dentista nos EUA e o mundo ficou a conhecê-lo após a morte de Cecil, leão de 13 anos considerado símbolo nacional do Zimbabué. Foi ilibado da morte do animal, mas há dois homens que continuam a ser acusados

Walter Palmer, o homem mais odiado da internet, usou um arco e flecha para disparar sobre Cecil, o leão que era símbolo nacional do Zimbabué. Três meses após a caçada, o norte-americano ficou a saber que não vai ser acusado da morte do animal. Esta segunda-feira, o ministro do Ambiente do Zimbabué assegurou que o homem tinha toda a papelada em dia e que a viagem foi legal.

“Abordámos a polícia e o procurador-geral e afinal Palmer veio para o Zimbabué porque tinha todos os papéis em ordem”, disse Oppah Muchinguri-Kashiri, ministro do Ambiente, citado pela agência Reuters. Afinal, o dentista norte-americano recebeu autorização legal para conduzir a caçada e por isso mesmo não pode ser acusado de nada neste caso, concluiu a Justiça.

Cecil era um leão de 13 anos, grande e com uma juba escura - algo não muito comum. O animal era a maior atração turística do Hwange National Park e fazia parte de um estudo sobre a conservação de leões da Universidade de Oxford, que o monotorizava através de um chip.

Apesar de agora se saber que a presença de Walter Palmer estava legalizada, o Zimbabué parece ter dúvidas sobre os outros dois intervenientes: Theo Bronkhorst, um caçador profissional do Zimbabué e guia naquela caçada, e Honest Ndlovu, dono do território onde o animal foi morto. Ambos terão atraído Cecil para fora do Hwange National Park. Os dois negam a acusação.

Bronkhorst deverá comparecer no tribunal de Hwange na próxima quinta-feira, na sequência de um pedido dos advogados de defesa para anulação da acusação.

O homem mais odiado da Internet

Manifestantes protestam junto à porta do emprego de Walter Palmer

Manifestantes protestam junto à porta do emprego de Walter Palmer

Eric Miller/ Reuters

A 6 de julho deste ano, Walter Palmer, acompanhado de mais dois homens, conduziu Cecil para a fronteira do Hwange National Park, onde atirou com um arco e flecha. O leão não morreu, apenas ficou ferido. Foram necessárias 40 horas para o matar. Quando se voltaram a encontrar estavam a cerca de um quilómetro para lá dos limites da reserva natural. Foi esse o momento final, relatou Johnny Rodrigues, chairman da Força para a Conservação do Zimbabué, ao “The Guardian”.

Mais tarde, quando os guardas do parque encontraram Cecil, o animal tinha sido esfolado e decapitado.

Assim que se soube o nome de Walter Palmer, este transformou-se no homem mais odiado da internet. Foram milhares as páginas que exigiam que se fizesse justiça; a casa e o consultório do dentista, no estado do Minnesota, foram ponto de passagem de várias pessoas furiosas com o acontecimento. Escreviam e gritavam “assassino”. Recebeu ameaças de morte e teve mesmo que se manter escondido durante seis semanas.

Desde o primeiro momento, Walter Palmer fez saber que foi a equipa de profissionais contratados para a caçada que “assegurou todas as autorizações”. “Até ao final da caçada, não tinha ideia que o leão que cacei era um animal conhecido, que estava a ser seguido e que fazia parte de uma investigação”, disse em comunicado citado pelo jornal “Star Tribune”.

ERIC MILLER/ Reuters