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Ministra alemã acusada por universidade dos EUA de mentir no currículo

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Esta não é a primeira vez que um membro do Executivo alemão vê o seu passado académico questionado

Hannibal Hanschke / Reuters

A ministra da Defesa alemã já tinha enfrentado acusações de plágio. Agora, é a universidade norte-americana que desmente que Ursula von der Leyen tenha frequentado algum dos seus cursos, como afirma no seu currículo

Depois de já ter sido acusada de plagiar a sua tese de doutoramento em Medicina, a ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, enfrenta novas acusações em relação ao seu percurso académico.

Desta vez, é a prestigiada Universidade de Stanford, na Califórnia, Estados Unidos, que revela que a governante “nunca esteve matriculada num programa oficial da universidade que lhe permitisse obter um certificado ou um diploma”, contrariando o que Ursula von der Leyen escreve no seu currículo.

A Universidade de Stanford nega que a ministra alemã tenha, como esta afirma no seu CV, completado entre 1993 e 1996 um curso na Faculdade de Negócios e outro na Administração de Serviços de Saúde da instituição. Falando neste domingo, o porta-voz da universidade acusa Ursula de mentir no registo das suas atividades académicas, afirmando que “se uma pessoa admite no seu currículo possuir um certificado da universidade, está a abusar do nome de Stanford”.

A ministra da Defesa da Alemanha enfrentou em setembro acusações do Vroniplag, portal que se tem dedicado a investigar o passado académico de vários políticos alemães. O portal anunciou então que a governante terá cometido plágio em “43,5% das páginas analisadas”, pertencentes à sua tese de doutoramento sobre os efeitos da proteína C no diagnóstico de um “síndroma de infeção amniótica, com ruptura prematura e relaxamento terapêutico do parto”.

Ursula von der Leyen completou o doutoramento na Universidade de Hannover, corria o ano de 1991, e é agora acusada de não citar as fontes devidas em 23 trechos do seu trabalho.

A ministra teve conhecimento da investigação que o portal Vroniplag estava a levar a cabo durante o mês de agosto e não desmentiu as acusações. No entanto, já pediu à Faculdade de Medicina da Universidade de Hannover para entregar a análise da sua tese a meis independentes, de acordo com o Ministério da Defesa alemão.

Esta não é a primeira vez que o Executivo alemão se vê afetado por uma polémica relativa ao passado académico dos seus ministros. O anterior tutelar da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, uma das estrelas do Executivo liderado por Merkel na legislatura anterior, também se viu obrigado a renunciar ao seu doutoramento depois de ter sido acusado de plagiar observações que figuravam em 118 das 475 páginas do documento.

Do mesmo modo a anterior ministra da Educação alemã, Annette Schavan, teve de renunciar ao cargo, mas neste caso Merkel anunciou mesmo a demissão da governante.