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Internacional

Espanha e EUA “desenterram” nuclear

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A operação naval desencadeada pelos EUA permitiu o resgate da bomba caída ao largo de Palomares.

Washington prepara-se para levar de Palomares mais de 50 mil metros cúbicos de terra contaminada por bombas nucleares

A pouco mais de três meses de se cumprirem cinquenta anos do acidente de Palomares, na província de Almeria, Washington e Madrid estão próximas de um acordo que obriga os norte-americanos a, finalmente, descontaminar a zona.

Da colisão a 17 de janeiro de 1966 de um avião cisterna e de um bombardeiro B52, resultou a queda em Palomares de três das quatro ogivas termonucleares transportadas. As bombas com uma potência 16 vezes superiores à utilizada em Hiroshima não explodiram. Mas causaram grande poluição por plutónio e amerício que ainda se faz sentir nesta pequena povoação do sul de Espanha. O quarto engenho caiu no Mediterrâneo.

Depois de mais de uma década de negociações, os Estados Unidos aceitaram remover a terra contaminada em consequência do que é considerado um dos maiores acidentes com armas atómicas durante a Guerra Fria.

As negociações entre os dois Governos foram aceleradas nos últimos meses de modo a que o acordo possa ser assinado durante a visita a Madrid do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, prevista para dia 19 de outubro.

Por decidir está ainda o financiamento da operação de remoção das terras, bem como o seu empacotamento. Uma operação complicada uma vez que se estima que numa parte do local esteja espalhado pelo menos meio quilo de plutónio (cuja desintegração demora milhares de anos) e Espanha não tem condições de armazenar. O destino final das terras contaminadas ainda não está decidido, mas muitos analistas admitem que seja as instalações nucleares norte-americanas no deserto do Nevada.

Das quatro bombas que caíram no acidente, duas ficaram intactas e foram recuperadas pelas autoridades. Mas não deixaram de constituir um verdadeiro pesadelo para o desenvolvimento da pequena povoação do sul de Espanha.