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Internacional

Human Rights Watch acusa Rússia de usar bombas de fragmentação na Síria

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AMMAR ABDULLAH

Segundo a organização, as bombas, que se sabe serem extremamente letais, foram usadas no dia 4 de outubro num ataque aéreo perto de Kafr Halab, no sudoeste da cidade de Aleppo

Helena Bento

Jornalista

A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) publicou no sábado um artigo em que é revelado o uso de novas bombas de fragmentação pela aviação russa na Síria.

Segundo a organização, que afirma ter tido acesso à informação a partir de fotografias e vídeos divulgados pelos meios de comunicação locais, as bombas foram usadas no dia 4 de outubro num ataque aéreo perto de Kafr Halab, no sudoeste da cidade de Aleppo.

Falta ainda saber se foram lançadas pela aviação russa, que desde há mais de uma semana têm vindo a levar a cabo ataques aéreos na Síria, ou se foram disponibilizadas por Moscovo mas usadas pelo regime sírio de Bashar al-Assad, que Vladimir Putin tem apoiado.

"É perturbador ver que outro tipo de bombas de fragmentação está a ser usado na Síria, tendo em conta os danos que vão causar aos civis nos próximos anos", disse Nadim Houry, diretor da organização no Médio Oriente, citado no artigo.

Sabe-se que as bombas de fragmentação rebentam no ar e libertam uma série de explosivos que se espalham em todas as direções, matando de forma indiscriminada, o que as torna muito mais letais do que outras. O seu uso é proibido em grande parte do mundo, depois de ter sido assinada em 2008, na cidade de Oslo, a Convenção contra as Bombas de Fragmentação, que entrou em vigor dois anos depois.

O acordo proíbe o uso, produção, transferência e armazenamento deste tipo de munições, e obriga à destruição, no prazo de 10 anos, dos restos de munições de fragmentação utilizadas. Está ainda previsto que seja dada assistência médica a eventuais vítimas causadas pela sua utilização.

Tanto a Rússia como a Síria não integram a convenção internacional. Embora não haja, portanto, legislação que proíba o seu uso pelos dois países, Nadim Houry defende que eles "não deviam usá-las", optando antes por juntar-se aos países que a integram. Outro exemplo é o dos Estados Unidos, que chegaram, aliás, a utilizar estas munições no Afeganistão e no Iraque.

Não é a primeira vez que há notícias sobre o uso de bombas de fragmentação na Síria. De acordo com a Human Rights Watch, as forças do Governo sírio começaram a usá-las em 2012, e não há informações de que as tenham abandonado. Também o autoproclamado Estado Islâmico foi acusado de ter recorrido a elas em 2014.

Dados da Cluster Munition Monitor (citados no referido artigo) revelam que entre 2012 e 2014 houve pelo menos 1.968 acidentes na Síria causados por ataques com recurso a bombas de fragmentação e por munições não deflagradas. A maioria desses acidentes resultou em vítimas mortais, sobretudo civis.

63 ataques aéreos nas últimas 24 horas

Segundo a AFP, que cita um comunicado do ministro da Defesa russo, a aviação russa levou a cabo 63 ataques aéreos na Síria nas últimas 24 horas contra alvos do autoproclamado Estado Islâmico.

Os ataques ocorreram nas províncias de Hama, Latakia, Idlib e Raqqa, e destruíram alegadamente 53 posições do grupo jiadista.