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Estado Islâmico apontado como principal suspeito do atentado na Turquia

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YOAN VALAT

Fonte das forças de segurança turcas disse à Reuters que os explosivos usados no ataque são semelhantes aos que foram detonados noutro atentado suicida cometido alegadamente por um combatente do autoproclamado Estado Islâmico, em julho deste ano, em Suruç

Helena Bento

Jornalista

O autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) é apontado como o principal suspeito do atentado deste sábado em Ancara, na Turquia, que causou a morte de pelo menos 100 pessoas, informou o jornal espanhol "El País", que cita fontes policiais.

O ataque, que ocorreu perto da principal estação de comboios da cidade, durante uma manifestação de sindicalistas e simpatizantes do HDP (o Partido Democrático do Povo, pró-curdo), ainda não foi reivindicado.

Apesar de serem três os grupos apontados como possíveis responsáveis, as principais suspeitas recaem sobre o Daesh. A sua eventual ligação ao ataque está já a ser investigada. Os outros dois grupos suspeitos são o PKK e as organizações de extrema esquerda Frente Partidária de Libertação do Povo Revolucionário (DHKP/C, na sigla em turco) e o MLKP (Partido Comunista Marxista-Leninista).

Fonte das forças de segurança turcas disse à Reuters que há vários indícios de que o atentado tenha sido cometido por membros do autoproclamado Estado Islâmico, entre eles o facto de terem sido usados explosivos semelhantes ao do atentado suicida de 20 de julho, na cidade turca de Suruç, junto à fronteira com a Síria, cometido alegadamente por um jovem que fazia parte de uma célula turca do Daesh.

O irmão mais velho desse jovem foi dado, aliás, como um dos possíveis suspeitos do atentado, descrito por outro membro não identificado das forças de segurança turcas como uma "cópia" desse primeiro ataque.

A imprensa turca, que diz ter tido acesso a informações obtidas junto dos serviços secretos do país, diz que nas últimas semanas cinco combatentes do autoproclamado Estado Islâmico, tidos como presumíveis bombistas suicidas, deram entrada no país vindos da Síria.

O próprio primeiro-ministro turco, Ahmed Davutoglu, reconheceu no sábado que foram detidos esta semana dois alegados terroristas suicidas, um em Ancara e outro em Istambul. O "El País" recorda ainda uma conversa que um jornalista seu teve em agosto com um membro do Governo da Turquia, que revelou que as forças de segurança do país tinham encontrado 35 coletes de explosivos aparentemente prontos a serem usados.