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Rússia e EUA disponíveis para novas negociações sobre a guerra na Síria

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Chip Somodevilla

As negociações pretendem evitar a colisão acidental entre a aviação dos dois países, que têm levado a cabo campanhas de bombardeamento independentes na Síria. Os Estados Unidos apresentaram uma proposta a Moscovo que inclui medidas como a manutenção de uma distância de segurança entre os aviões russos e norte-americanos e o uso regular de frequências de rádio para pedidos de socorro

Helena Bento

Jornalista

A Rússia e os Estados Unidos mostraram-se disponíveis para recomeçar as negociações que pretendem evitar uma colisão acidental entre a aviação dos dois países, que têm levado a cabo campanhas de bombardeamento independentes na Síria, informou na sexta-feira o Pentágono.

De acordo com a agência Lusa, que cita o porta-voz do Pentágono Peter Cook, o Departamento de Defesa dos EUA recebeu uma resposta formal do Ministério da Defesa russo sobre a proposta para se garantirem operações aéreas seguras na Síria. As negociações devem decorrer já este fim de semana.

Incluídas nessa proposta, que foi apresentada na semana passada durante uma videoconferência entre Moscovo e Washington, estão medidas como a manutenção de uma distância de segurança entre os aviões russos e norte-americanos e o uso regular de frequências de rádio para pedidos de socorro, informa o jornal "Moscow Times".

Apesar da abertura para o diálogo, mantém-se a tensão entre os EUA e a Rússia

Uma semana após os primeiros ataques aéreos russos na Síria, os Estados Unidos e seus aliados continuam a acusar Moscovo de estar a atacar, sobretudo, os inimigos do Presidente sírio Bashar al-Assad (entre eles a Frente-al Nusra, o poderoso braço da Al-Qaeda na Síria), em vez de bombardear posições do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

O apoio russo a Bashar al-Assad tem sido visto por alguns especialistas como uma forma de Vladimir Putin voltar a assegurar a influência russa no Médio Oriente e mostrar ao mundo uma Rússia forte e recuperada, apesar das sanções aplicadas em março de 2014 pelos Estados Unidos por causa da anexação da Crimeia, que prejudicaram a economia do país.

Vladimir Putin "quer humilhar" Barack Obama

Jeremy Shapiro, membro do Brookings Institution's Project on International Order and Strategy, considera que Putin "quer humilhar" o Presidente Barack Obama ou "explorar a sua fraqueza", isto é, a sua muita falada inabilidade para lidar com assuntos relacionados com a política externa do país.

Num artigo de opinião publicado no "New York Times", Shapiro diz que a intervenção militar da Rússia na Síria vai fazer com a violência aumente no país, assim como o terrorismo, arrastando os russos para um "pantâno". As consequências, defende, serão negativas tanto para Moscovo e Estados Unidos, como (e sobretudo) para a Síria e países vizinhos.

Combatentes do Daesh tomam seis aldeias perto de Aleppo

Na sexta-feira, o "New York Times" noticiava que o autoproclamado Estado Islâmico tinha conseguido "importantes ganhos" no noroeste da Síria, ao tomar seis aldeias perto da província de Aleppo e ameaçando impedir o acesso a uma estrada importante perto da fronteira turca.

A região fora dias antes bombardeada por aviões russos, que ao atingirem posições das forças inimigas de Assar, permitiram que o Daesh avançasse sem encontrar obstáculos. Um comandante das forças rebeldes disse à Reuters que o grupo terrorista "aproveitou os ataques aéreos russos e a preocupação do Exército Livre da Síria com as suas batalhas em Hamas para avançar sobre Aleppo".

EUA deixam de treinar rebeldes sírios e vão apoiar "grupo restrito de líderes"

Enquanto tenta chegar a acordo com Moscovo e estabelecer regras de conduta para evitar um conflito direto com a Rússia, Barack Obama tem sido acusado de fraqueza e incapacidade para impedir os avanços do autoproclamado Estado Islâmico em território sírio.

Na sexta-feira, o Pentágono anunciou o fim de um programa lançado no ano passado que tinha como objetivo criar um exército de rebeldes sírios e treiná-los para enfrentar os combatentes do Daesh. Em alternativa, serão fornecidas armas e treino a um "grupo restrito de líderes, para que estes possam progredir no território controlado" pelo grupo terrorista, explicou o Pentágono em comunicado.

O ponto final anunciado é o reconhecimento do fracasso de um programa que, embora tenha falhado (recentemente alguns desses combatentes treinados foram, aliás, atacados por grupos rivais que lutam contra o regime sírio), era visto por muitos como o melhor para impedir a avanço dos jiadistas do Daesh.