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Itália acusada de pagar milhões de euros em resgates de reféns

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A investigação conduzida pela estação televisiva Al Jazeera revela que foram já vários os casos em que o Governo italiano negociou com grupos armados na Síria e na Somália

Uma investigação conduzida pela Al Jazeera, agora condensada no documentário “The Hostage Business” (O Negócio dos Reféns, em português), revela casos em que o Governo italiano negociou com grupos armados, chegando a pagar resgates com o objetivo de libertar os reféns. A Itália é acusada de pagar milhões de dólares a um grupo sírio para libertar dois jornalistas - um italiano e um belga. Noutra ocasião, o Governo italiano abriu mão de 11 milhões de euros para que o grupo sírio al-Nusra Front libertasse dois trabalhadores de organizações humanitárias.

As revelações feitas no documentário, que resulta de uma investigação de seis meses da Al Jazeera, não ficam por aqui: a Itália estará ainda envolvida no pagamento de 525 mil dólares (426 mil euros) a piratas da Somália pela libertação de um cidadão com dupla nacionalidade italiana e sul-africana. Na sequência do caso, os Governos da Itália e da África do Sul anunciaram que uma intervenção do exército somali teria resultado na libertação do refém.

O documentário conta com depoimentos de Mu'taz Shaklab, intermediário numa das negociações em que a Itália esteve envolvida; Mahmoud Daboul, membro das Brigadas Farouq - um grupo armado sírio -; e exibe fotografias que comprovam o pagamento milionário do resgate das trabalhadoras humanitárias, em janeiro deste ano.

Mas a Itália não foi o único país que viu as suas negociações secretas expostas. A investigação jornalística também recolheu informações sobre o caso do jornalista norte-americano James Foley, que foi decapitado pelo Estado Islâmico no ano passado. A mãe do jornalista revelou à Al Jazeera que o conselheiro do Presidente Obama Mark Mitchell ameaçou a família “três vezes” para que esta não negociasse o resgate de Foley.

Diane Foley atacou a admnistração Obama pela forma como lidou no caso do seu filho: “O nosso Governo sabe que nos falhou”, declarou.

O conselheiro do atual Presidente norte-americano já veio criticar os Executivos europeus por pagarem resgates, apontando que estes deveriam ter “coragem para o fazer de forma transparente”, em vez de manterem “esta ficção pública”. O Governo italiano recusou comentar as revelações feitas pela estação televisiva, recordando que é sua política “não pagar resgates”.