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Mísseis de cruzeiro russos atravessaram Irão e Iraque antes de atingirem a Síria

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Imagem extraída de um vídeo do Ministério da Defesa russo

MINISTÉRIO DA DEFESA RUSSO/EPA

Foi o primeiro ataque efetuado a partir dos navios que a Rússia tem no Mar Cáspio. Os EUA dizem que mais de 90% dos ataques russos na Síria não tiveram como alvo o Estado Islâmico. NATO manifesta-se disponível para intervir para defender o espaço aéreo da Turquia

Quatro navios russos estacionados no Mar Cáspio dispararam 26 mísseis de cruzeiro, que percorreram uma distância de cerca de 1500 quilómetros, atravessando o Irão e o Iraque antes de atingirem 11 alvos nas províncias de Raqqa e Aleppo, no norte da Síria, segundo anunciou esta quarta-feira o ministro russo da Defesa Sergei Shoigu.

O ministro comunicou ao Presidente Vladimir Putin que todos os alvos, alguns dos quais em áreas controladas pelo autodenominado Estado Islâmico (Daesh), foram destruídos, sem que tenham ocorrido vítimas civis, refere a agência russa RIA Novosti,

Este foi primeiro ataque que a Rússia efetuou a território sírio a partir de meios navais, ocorrendo cerca de uma semana depois da aviação russa ter começado a bombardear o país.

Os Estados Unidos anunciaram esta quarta-feira que mais de 90% dos ataques russos não atingiram o Daesh mas sim grupos sírios moderados, que estão a lutar contra o regime de Bashar al-Assad.

“Mais de 90% dos ataques que nós os vimos até agora a fazer não foram contra o Daesh ou terroristas filiados da Al-Qaeda”, disse o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, John Kirby. “Eles têm atingido sobretudo grupos da oposição que querem um futuro melhor para a Síria e não querem ver o regime de Assad no poder”, acrescentou.

A Rússia manifestou na quarta-feira a sua disponibilidade para iniciar conversações com os Estados Unidos para uma coordenação dos ataques que estão a ser efetuados sobre a Síria, no sentido de evitar eventuais incidentes entre as forças aéreas dos diferentes países que têm estado a efetuar bombardeamentos sobre o território.

NATO pronta defender espaço aéreo da Turquia

A coligação internacional liderada pelos Estados Unidos tem efetuado nos últimos meses inúmeros ataques aéreos contra o Daesh, mas alguns dos grupos da oposição síria que estão agora a ser atacados pela Rússia contam com o apoio norte-americano.

As duas incursões que dois aviões militares russos efetuaram no último sábado e domingo sobre território da Turquia, próximo do norte da Síria, levaram esta quinta-feira o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, a declarar que os membros da organização estão prontos com meios militares para defender o espaço aéreo daquele país.

“A NATO está preparada e pronta para defender todos os seus aliados, incluindo a Turquia, contra quaisquer ameaças”, acrescentou Stoltenberg, manifestando a sua preocupação em relação aos ataques da aviação russa, assim como aos efetuados com mísseis cruzeiro.

Os ministros e responsáveis pela Defesa dos Estados membros da NATO estão esta quinta-feira reunidos em Bruxelas, num encontro onde está em foco a intervenção russa na Síria.