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A NASA falou esta quinta-feira: “Plutão tem brumas azuis e água gelada”

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Há gelo em Plutão. Imagem difundida pela NASA mostra destacadas a azul regiões com água gelada

NASA/JHUAPL/SwRI

Dez longos anos demorou a nave “New Horizon” a chegar a Plutão. Esta quinta-feira, a NASA anuncia no seu site que as neblinas de Plutão são azuis e que existe água gelada no o planeta que se julgava inóspito

Será que as brumas de Plutão vão substituir a carga simbólica das brumas de Avalon? Pouco provável, porque os valores simbólicos são diferentes, mas as neblinas azuis de Plutão podem mudar a forma como nós, terráqueos, contemplamos aquele que se julga ser o planeta mais longínquo do nosso sistema solar.

“Quem esperaria um céu azul” nesta zona do sistema solar? “É lindo”, disse Alan Stern, um dos investigadores que estuda as informações enviadas pela nave não tripulada “New Horizons”, em Boulder, no Colorado. A declaração de Stern consta de um comunicado divulgado esta quinta-feira no site da NASA, que acompanha as primeiras imagens enviadas pela nave.

Antes, a agência espacial norte-americana recorda que há uma semana, e ao fim de uma década de viagem, a “New Horizons” falou para casa e enviou estas “primeiras imagens coloridas de neblinas na atmosfera de Plutão”.

De planeta anão a terra das brumas azuis

Para muitos dos nossos leitores, durante anos, Plutão foi apenas o planeta mais longínquo e frio do sistema solar, um parente da Terra inóspito e inabitável. Mas a informação divulgada pela NASA esta quinta-feira confirma informações já avançadas sobre a existência de água, ou melhor, gelo em Plutão.

Sobre o azul das brumas, a NASA informa que cizento ou vermelho é a cor mais provável dessas partículas. No entanto, “a maneira como elas refletem e dispersam a luz solar tem merecido a atenção da equipa de cientistas” que acompanha a viagem da “New Horizons”.

Imagem de Plutão divulgada pela NASA a 24 de julho último. A imagem foi feita quando a nave estava a 450 mil km de Plutão

Imagem de Plutão divulgada pela NASA a 24 de julho último. A imagem foi feita quando a nave estava a 450 mil km de Plutão

NASA/JHUAPL/SwRI

Para o investigador Carly Howett, “um céu azul resulta muitas vezes da dispersão da luz solar em partículas pequenas. Na Terra, essas partículas são pequenas moléculas de nitrogénio [vulgo azoto]. Em Plutão, parecem ser maiores, mas mesmo assim pequenas”.

Os cientistas acreditam que as partículas tholin [nome dado a estas partículas] formam-se nas camadas elevadas da atmosfera, onde “se ioniza a luz ultravioleta da luz solar”, permitindo que as “moléculas de nitrogénio e metano reajam entre si para formar iões mais complexos”.

A segunda revelação enviada para Terra pela “New Horizons” - a mais rápida nave alguma vez construída - é a existência de água gelada em inúmeras pequenas regiões de Plutão.

A nave que revelou a face oculta de Plutão ao mundo dos terráqueos é pouco maior do que um piano e viajou a uma velocidade de 49.570 km/hora.

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