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Merkel e Hollande pedem mais Europa

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VINCENT KESSLER / Reuters

Para o presidente francês, quem não está convencido do projeto europeu deve sair. Uma via que considera “terrível”. Tanto Hollande como Merkel defenderam esta quarta-feira, no Parlamento Europeu, que é preciso reforçar a União Europeia e que os desafios devem ser enfrentados em conjunto

Passaram 26 anos desde que Helmut Kohl e François Mitterrand se dirigiram, em conjunto, ao Parlamento Europeu, no rescaldo da queda do muro de Berlim. Esta quarta-feira, foi a vez de Angela Merkel e François Hollande mostrarem em Estrasburgo que há sintonia entre os dois.

Não foram discursos marcantes mas marcaram uma visão comum: tanto a chanceler alemã como o presidente francês defenderam a necessidade de “mais Europa”. “Não é um debate entre mais ou menos Europa. É entre o reforço ou o fim da Europa, o fim do euro, o regresso às fronteiras nacionais”, disse François Hollande aos eurodeputados. O presidente francês lembrou a frase de Mitterrand, “o nacionalismo é a guerra”, para defender que é preciso ir mais longe na integração europeia.

“Estou convencido de que se não formos mais longe, não vamos apenas parar mas vamos recuar. E isso será o fim do projeto europeu”, disse Hollande, pedindo também maior aprofundamento e consolidação da zona euro. Angela Merkel concorda. “Agora precisamos de mais Europa. Precisamos da coragem e da coesão da Europa”, disse numa referência clara aos desafios trazidos pela crise de refugiados. A chanceler voltou a dizer que os 28 terão de trabalhar em conjunto para acolher os milhares de pessoas que precisam de proteção internacional e para combater o terrorismo.

Em Estrasburgo, Merkel negou que tenha fechado as fronteiras alemãs e defendeu que é preciso tratar migrantes e refugiados “com decência”, admitindo que nem todos poderão ficar nos países da União Europeia e que os que não estão a fugir à guerra serão repatriados.

Merkel e Hollande, que não partilham as mesmas famílias políticas, tentaram contrariar a imagem de que têm dificuldade em conduzir, em conjunto, a locomotiva da União Europeia. No ano em que se assinala os 25 anos da reunificação alemã, os dois líderes quiseram dar o exemplo de que o projeto europeu precisa: mais união.

Uma estratégia que se aplica à área económica e à zona euro, mas também às políticas externa e também de asilo. Áreas mais sensíveis, em que os Estados-membros são soberanos. “Se queremos ser uma potência independente, temos de ter uma política de defesa comum”, concluiu François Hollande.

VINCENT KESSLER / Reuters

A outra via… é sair

Nas intervenções iniciais, Merkel e Hollande contornaram o tema do referendo britânico à saída do país do euro. Mas o Brexit haveria de surgir já no final, ainda que indiretamente. François Hollande, na sequência das intervenções do britânico eurocético Nigel Farage e da eurodeputada francesa de extrema direita Marine LePen, foi claro a falar de alternativas.

“Se não queremos o reforço da Europa, há apenas uma via. Eu ouvi o que disse o sr. Farage. A única via possível para aqueles e aquelas que não estão convencidos da Europa é simplesmente sair da Europa”, disse, admitindo ainda que se trata de um via “terrível mas lógica”.

“Sair da Europa, sair do Euro, sair do espaço Schengen. E se puderem, sair da democracia. Porque, por vezes, quando vos oiço, pergunto-me se querem mesmo pertencer a um espaço comum”, disse François Hollande, dirigindo-se ao eurodeputado e líder do UKIP, partido para a independência do Reino Unido.

VINCENT KESSLER / Reuters

Volkswagen tem de prestar contas

Questionada pelos eurodeputados sobre o escândalo da Volkswagen e da manipulação de testes de emissões poluentes, Angela Merkel afirmou que o “que aconteceu exige um esclarecimento urgente”. No entanto, defendeu que o caso não deve ser usado para pôr em causa toda a indústria automóvel. “Não usem este pretexto por razões políticas, para condenar a indústria automóvel e pôr em causa milhares de postos de trabalho.”