Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Itinerário errado numa app acabou em tragédia

  • 333

As favelas do Rio de Janeiro mantêm os elevados índices de violência

FOTO RICARDO MORAES/REUTERS

Empresária brasileira morreu baleada numa favela após uma aplicação móvel indicar mal o percurso. A confusão entre avenida e rua transformaram um encontro familiar - que tinha tudo para ser feliz - num inferno

Um trajeto errado delineado numa aplicação móvel revelou-se fatal para Regina Múrmura. Tudo aconteceu no último sábado. A jornalista e empresária, de 70 anos, seguia no carro com o marido - com quem estava casada há 48 anos - para jantarem numa pizaria com familiares em Niteroi, no Rio de Janeiro.

O casal desconhecia o caminho para lá chegar. Durante o percurso, Regina escreveu a morada na aplicação móvel Waze e ia explicando o percurso sugerido ao marido, que seguia ao volante. Mas por erro, a aplicação confundiu uma rua com uma avenida com o mesmo nome e levou o casal para a favela do Caramujo.

Assim que entraram no local, um grupo de 20 indivíduos armados disparou várias vezes contra a viatura. A mulher foi atingida mortalmente por uma bala. Ainda foi encaminhada para um hospital local, mas não resistiu aos ferimentos.

Francisco, o marido, saiu do carro e tentou explicar ao grupo que se tinham enganado no caminho, pedindo para os traficantes que os deixassem sair dali. No regresso, a viatura foi atingida por novas balas.

O caso está a ser investigado. A polícia do Rio de Janeiro considera que os traficantes pensaram que elementos das autoridades seguiam na viatura.

Há dois meses, outro casal seguiu também as indicações erradas no GPS e foi parar à mesma favela. Fabiana Karla, uma conhecida atriz no Brasil, e o seu companheiro viram a viatura em que seguiam ser também baleada. Tiveram mais sorte e sairam ilesos.

A favela do Caramujo é considerada uma das mais violentas da região de Niteroi. Um homem foi assassinado há duas semanas e um casal de residentes encontra-se desaparecido, refere a “Folha de São Paulo”.

Nos primeiros oito meses do ano, registaram-se no local pelo menos 25 homicídios, 24 mortes em confrontos recorrentes com a polícia e 25 desaparecimentos, de acordo com os dados do Instituto de Segurança Pública brasileiro.

  • Liliana Coelho

    Jornalista no Expresso desde 2009. Licenciada em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social, começou nestas andanças na revista Exame depois de um estágio na agência Lusa. Naturalmente curiosa gosta sobretudo de comunicar. Fazer perguntas. Ouvir e contar 'estórias' de todas as formas, daí o prazer de fazer jornalismo multimédia e mostrar a atualidade aos leitores.