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Como é que está o dia? “Perfeito para bombardear a Síria”

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É uma previsão meteorológica no mínimo diferente. Não foi transmitida num programa de humor ou de entretenimento, mas no noticiário da televisão estatal russa

Parece piada, mas não é. A apresentadora da meteorologia do canal estatal russo Rossiya 24, quando anunciava a previsão do tempo para a Síria, durante um jornal televisivo, saiu-se com esta: para hoje temos céu pouco nublado ou limpo, com vento fraco, ou seja, “está um dia perfeito para bombardear”.

Segundo o jornal espanhol “El Mundo”, o primeiro boletim meteorológico a referir especificamente o estado do tempo na Síria, emitido por esta estação, foi para o ar a 26 de setembro. No último sábado uma nova edição foi transmitida. A apresentadora começou por chamar a atenção dos telespectadores para “uma das histórias mais importantes da semana”.

“As operações aéreas da Rússia na Síria continuam e os especialistas dizem que as condições climatéricas são perfeitas para o efeito. O momento foi muito bem escolhido para realizar a operação. Outubro na Síria é um mês estupendo para voar, a velocidade média do vento é 2,4 metros por segundo. Apenas com fortes rajadas de vento a acontecerem um vez por mês e a chuva só aparece a cada dez dias”, disse a apresentadora.

Enquanto se ouvia a explicação, surgiu no ecrã a imagem de um caça. Em seguida, vídeos dos bombardeamentos.

Segundo escreve o “El Mundo”, este é mais um dos instrumentos da campanha de propaganda que o Governo de Moscovo tem em curso para justificar o começo das operações aéreas na Síria, a 30 de setembro. O objetivo é recolher o apoio da opinião pública, depois do Ocidente ter acusado a Rússia de matar civis e de estar a proteger o Presidente sírio, Bashar al-Assad.

E já não é a primeira vez que lhes dá para a graçola. Em abril do ano passado, quando os rebeldes no leste ucraniano proclamaram a República Popular de Donetsk, o senhor da meteorologia voltou a fazer das suas ao chamar a atenção para as muitas nuvens e “ventos de mudança” enquanto no ecrã surgia uma imagem onde a Crimeia parecia fazer parte da Rússia.