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Turquia diz ter intercetado avião russo no seu espaço aéreo

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YURI CORTEZ/AFP/Getty Images

Presidente Recep Tayyip Erdoğan diz que os ataques russos na Síria não podem ser tolerados e que só a saída de Bashar al-Assad do poder poderá pôr fim ao conflito

O Governo turco anunciou ter intercetado no passado sábado um avião russo que estava a violar o espaço aéreo próximo da fronteira com a Síria, e exigiu que Moscovo não volte a repetir esta situação. O embaixador turco na Rússia já apresentou um protesto formal ao ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, e o Executivo turco está a discutir uma reação a este incidente.

Entretanto, o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, defendeu que os ataques russos na Síria não podem ser tolerados pela comunidade internacional. “Os passos que a Rússia está a dar e os bombardeamentos na Síria são inaceitáveis do ponto de vista da Turquia e penso que para o resto do mundo também”, declarou Recep Erdoğan, citado pelo diário britânico “The Guardian”. Em teoria, os ataques russos integram-se numa campanha contra o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh, no acrónimo árabe), mas outros rebeldes anti-Assad têm sido alvo das forças russas.

O chefe de Estado turco reiterou ainda que só a saída do ditador Bashar al-Assad do poder poderá pôr fim ao conflito. “Assad tem cometido terrorismo de Estado e, infelizmente, a Rússia e o Irão defendem-no. Esses países que colaboram com o seu regime vão ser também responsabilizados pela história”, acrescentou.

O Presidente sírio considerou, por seu turno, este domingo, que o sucesso da campanha militar da Síria, da Rússia e dos seus aliados é vital para proteger o Médio Oriente. “Terá que ser uma resposta militar de sucesso, caso contrário, assistiremos à destruíção de toda a região e não só de um ou dois estados”, afirmou Assad, numa entrevista à televisão estatal iraniana.

Na visão de Bashar al-Assad, a estratégia levada a cabo pela coligação internacional não está a conseguir resultados, sendo fundamental outra resposta. “Os países que apoiam o terrorismo não podem combater o terrorismo. Essa é a verdda da coligação que vemos. É por isso que um ano e vários meses depois não vemos qualquer resultado. Vemos exatamente o óposto, que o terrorismo se disseminou em termos geográficos e ganhou mais voluntários”, sustentou.

Desde o início do conflito na Síria, em março de 2011, mais de 230 mil pessoas morreram, das quais 69 mil eram civis. A tensão aumentou no país, quando o Presidente Assad estava prestes a ser deposto e os apoiantes e opositores do Presidente sírio entraram em conflito