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Internacional

Médicos Sem Fronteiras chocados com admissão do bombardeamento do hospital afegão

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Das 22 pessoas que morreram no ataque aéreo de sábado ao hospital da cidade afegã de Kunduz, 12 eram funcionários da organização humanitária de assistência médica e 10 eram pacientes, três dos quais crianças

Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) manifestaram-se chocados com a declaração do regime afegão, que justificou o bombardeamento de sábado ao hospital da cidade afegã de Kunduz com alegação de que havia talibãs no seu interior. Para a organização, é o reconhecimento de que o ataque aéreo constituiu um crime de guerra.

“O hospital estava cheio de pessoal dos Médicos Sem Fronteiras, pacientes e seus assistentes médicos. Foram 12 funcionários dos Médicos Sem Fronteiras e 10 pacientes, entre os quais três crianças, que foram mortos no ataque”, afirmou o diretor geral dos MSF, Christopher Stokes. A organização declarou que, na sequência do ataque, que causou ainda dezenas de feridos, retirou todos os seus elementos que se encontravam em Kunduz.

As forças afegãs, apoiadas pela coligação liderada pelos Estados Unidos, têm estado envolvidas nos combates pelo controle da cidade do norte do afeganistão, que no mês passado foi temporariamente tomada pelos talibãs.

Ministro afegão falou em “terroristas armados”

Após o bombardeamento do hospital, o ministro afegão da Defesa declarou que “terroristas armados” estavam a usar o hospital como um ponto estratégico para “atacar as forças afegãs e civis”.

“Estas declarações implicam que as forças afegãs e dos Estados Unidos, trabalhando em conjunto, decidiram dizimar um hospital totalmente funcional – com mais de 180 funcionários e pacientes no interior – porque eles alegam que menbros dos talibãs se encontravam no local”, refere um comunicado do MSF. “Isto representa a admissão de um crime de guerra. Isto contradiz por completo as tentativas iniciais do governo norte-americano de minimizar os ataques chamando-lhes 'danos colaterais'”, acrescenta.

Na sua página do Twitter, a organização declarara: “Nem um único membro do nosso pessoal indicou qualquer luta no interior do complexo hospitalar dos MSF antes do ataque aéreo norte-americano no sábado de manhã” e acrescenta que “o hospital foi atingido repetidas vezes, precisamente durante o raide aéreo, enquanto o resto do complexo permaneceu quase inatingido”.

MSF quer investigação internacional independente

O secretário de Estado da Defesa dos EUA, Ashton Carter. afirmou no domingo que uma um investigação completa e independente será levada a cabo para determinar se os militares norte-americanos podem estar ligados ao ataque.

O diretor-geral dos MSF considera, contudo, que a investigação militar norte-americana, que deverá estar concluída dentro de dias, é uma resposta inadequada e que deveria ter lugar uma investigação internacional independente.