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Bashar al-Assad diz que apoia a ofensiva militar russa na Síria

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Talbiseh, na província de Homs, onde foram levados a cabo os primeiros ataques aéreos russos

MAHMOUD TAHA

Numa entrevista à televisão iraniana, Bashar al-Assad disse que se os bombardeamentos na Síria não forem bem-sucedidos "toda a região poderá vir a ser destruída"

Helena Bento

Jornalista

O Presidente sírio Bashar al-Assad manifestou este sábado o seu apoio ao Governo russo e aos ataques aéreos que têm sido levados a cabo nos últimos dias na Síria.

Numa entrevista à televisão iraniana, Assad disse que se os bombardeamentos na Síria não forem bem-sucedidos "toda a região poderá vir a ser destruída". Na sua opinião, a intervenção militar russa no país tem "potencial para correr bem", já que é apoiada pelo irão "e até mesmo pelos países do ocidente".

O Presidente sírio, que falava pela primeira vez desde que a Rússia efetuou os primeiros ataques (as bombas lançadas na passada quarta-feira atingiram vários alvos nas regiões de Homs, Hama e Latakia, no noroeste sírio, onde não há presença significativa do autoproclamado Estado Islâmico), pediu ainda aos países que apoiam os rebeldes da oposição para deixarem de o fazer.

Rússia intensifica ataques aéreos na Síria

Este sábado, soube-se que Moscovo pretende "aumentar a intensidade" dos seus ataques. A revelação foi feita pelo general Andrei Kartapolov, responsável do Estado-maior, que disse também que quando o Governo russo informou os EUA de que ia lançar uma ofensiva militar sobre a Síria, foi-lhe garantido que na região só havia terroristas. Washington e Moscovo continuam a ter um entendimento diferente sobre os que são ou não terroristas.

Desde que a Rússia começou a bombardear o território, cerca de 600 combatentes do autoproclamado Estado Islâmico tentaram fugir do país em direção à Europa, disse também o responsável russo, garantindo que os ataques "não só vão continuar", como se espera que "aumentem de intensidade".

Reino Unido alia-se aos EUA nas suspeitas contra a Rússia

David Cameron, primeiro-ministro britânico, disse este domingo numa entrevista à BBC que "a maior parte dos ataques russos parece ter tido como alvo áreas não controladas pelo Estado Islâmico".

"O que está a acontecer é que Moscovo está a apoiar Bashar al-Assad, e isso é um erro terrível que não só os prejudicará, como também ao resto do mundo. A região vai tornar-se mais instável, com mais terrorismo e radicalização", referiu.

A mesma opinião tinha sido manifestada no sabádo por Michael Fallon, ministro da Defesa do Reino Unido. Numa entrevista ao "The Sun", o ministro britânico disse que apenas um em cada 20 ataques aéreos russos têm tido como alvo posições do autoproclamado Estado Islâmico. Os restantes, garante, têm atingido civis e membros do Exército Livre da Síria, composto por militares que desertaram e outros opositores ao regime de Assad.