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Internacional

Estados Unidos alargam ofensiva na Síria

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STEPHANE MAHE

Vão ser fornecidas armas às milícias curdas sírias e a combatentes árabes. Depois de os EUA e seus aliados terem revelado as suas suspeitas de que a Rússia estará a atacar sobretudo opositores a Bashar al-Assad, Moscovo parece estar empenhado em provar o contrário.

Helena Bento

Jornalista

Barack Obama aprovou na sexta-feira de manhã, durante uma reunião com os responsáveis máximos das forças de segurança do país, um plano para alargar a ofensiva americana na Síria, confirmaram as autoridades dos EUA.

Entre as medidas que constam desse plano, e que foram recomendadas por Joseph F. Dunford Jr., chefe do Estado-maior do Exército dos Estados Unidos, inclui-se o fornecimento de armas às milícias curdas sírias e a combatentes árabes que, nos meses recentes, conseguiram expulsar combatentes do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) de uma parte importante do território no norte da Síria. Espera-se que essas milícias curdas se dirijam agora para a província de Raqqa, "capital" da organização jiadista, bombardeada na sexta-feira pela aviação russa.

Foi também autorizado o aumento de ataques aéreos a oeste do Rio Eufrates, onde as forças da oposição apoiadas pelo Estados Unidos têm-se mostrado incapazes de dominar o Daesh. Os ataques serão lançados da base aérea de Incirlik, na Turquia, onde é esperada a chegada de meios aéreos militares de outros países que integram a coligação liderada pelos Estados Unidos.

Depois de os EUA e seus aliados terem revelado as suas suspeitas de que a Rússia estará a atacar sobretudo opositores ao Presidente sírio Bashar al-Assad, o governo de Moscovo parece estar empenhado em provar o contrário. Depois do bombardeamento em Raqqa, no leste da Síria, a aviação russa destruiu este sábado um posto de comando do Daesh perto daquela região, assim como um bunker subterrâneo que servia para guardar explosivos. Foram efetuados mais de 20 raides aéreos. As informações foram dadas pelo Ministério da Defesa russo, citado pela agência France Press.

"Nós não somos impotentes", diz ministro da Defesa do Reino Unido

Também o Reino Unido defende que os aviões russos estão a atacar principalmente os opositores de Bashar al-Assad. Numa entrevista ao "The Sun", publicada esta sexta-feira, Michael Fallon, ministro da Defesa do Reino Unido, disse que apenas um em cada 20 ataques aéreos russos têm como alvo posições do autoproclamado Estado Islâmico. Os restantes, garante, têm atingido civis e membros do Exército Livre da Síria, composto por militares que desertaram e outros opositores ao regime de Assad.

O ministro da Defesa acredita que o Reino Unido, que integra a coligação americana e foi um dos sete países do grupo que na quinta-feira apelou a Moscovo para acabar imediatamente com os ataques contra a oposição, poderá reforçar o seu papel na coligação através do reforço da intervenção militar.

Seja como for, Michael Fallon não acredita que as ações recentes de Vladimir Putin tenham enfraquecido a Europa e os EUA. "Não acredito que Putin nos tenha conseguido manipular. Ele complicou a situação na Síria, mas nós não somos impotentes", disse

Obama garante que os EUA não vão encontrar em conflito direto com a Rússia

Vários responsáveis americanos têm dito que os bombardeamentos russos podem vir a pôr em causa o objetivo dos Estados Unidos de afastar Bashar al-Assad do Governo da Síria. Robert Ford, um antigo embaixador dos EUA no país visado, alertou ainda para a possiblidade de os rebeldes virem a aproximar-se dos russos por acharem que recebem deles mais apoio do que dos EUA, refere o "Washington Post".

Apesar disso, Barack Obama deixou claro na sexta-feira que o país não entrará em conflito direto com a Rússia, já que "Putin irá perceber em breve que transformou o território sírio num pântano". "Não vamos transformar a Síria numa guerra por procuração entre os Estados Unidos e a Rússia. Isso seria uma má estratégia. A nossa batalha é contra o Estado Islâmico", disse Obama, citado pelo "Washington Post".