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Tiroteio no Oregon: Obama farto da “rotina” de violência

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Os EUA voltam a ser notícia por mais um tiroteio numa faculdade, desta vez no Estado do Oregon. Dez pessoas morreram, entre as quais o próprio atirador

STEVE DIPAOLA/REUTERS

A propósito do ataque onde dez pessoas morreram num campus universitário, esta quinta-feira, o presidente norte-americano foi duro e veemente: não chegam lamentos e solidariedade, é preciso dificultar o acesso às armas

Num discurso particularmente duro e até irritado, Barack Obama utilizou a expressão “rotina” para se referir ao tiroteio no Oregon, o mais recente ocorrido num campus universitário norte-americano, e insurgiu-se. “De alguma forma isto está a tornar-se uma rotina”, afirmou, referindo-se ao tipo de ataque, ao voltar a responder “às mesmas questões” e ser novamente necessário colocar-se ao lado das famílias afetadas. Poucos discordarão do termo escolhido.

Quer na forma, quer nas consequências - dez pessoas morreram e sete ficaram feridas - o caso assemelha-se a muitos dos 45 outros registados só em 2015, razão para o Presidente dos EUA retomar uma velha luta: “Não pode ser assim tão fácil que alguém que queira fazer mal a terceiros ponha as suas mãos numa arma”.

Rotina, de facto, porque esta é a 15ª vez que Obama se dirige aos jornalistas para comentar um ataque do género, sem nada ter sido feito entretanto. Lamentar é pouco, insistiu. “Eu já disse há alguns meses, e repito cada vez que estes massacres acontecem: os nossos pensamentos e orações não chegam. Isso não é nada para prevenir este tipo de matança nos EUA, na semana que vem ou daqui a uns meses”, acrescentou o Presidente.

Barack Obama voltou a criticar o Congresso, que acusa de impedir a recolha de dados “que poderiam reduzir as mortes por armas” e sublinhou a necessidade de mudar a atual legislação norte-americana sobre esta matéria.

Mensagens na internet antes do ataque?

Sobre o ataque desta quinta-feira, onde morreu o próprio atirador e outras nova pessoas, Chris Harper Mercer, de 26 anos, aos poucos vão sendo divulgados mais pormenores. A CNN adianta que quatro armas foram encontradas na cena do crime e informações não confirmadas referem a existência de mensagens na internet, postadas por Mercer antes do tiroteio, pedindo para as pessoas se manterem afastadas da universidade. Mas não há notícia de alguém ter avisado as autoridades.

Segundo o “The Guardian”, Chris Harper Mercer vivia perto do campus de Umpqua, na localidade rural de Roseburg, mas será natural de Inglaterra, tendo chegado ainda pequeno aos Estados Unidos. Aos jornalistas, o seu pai mostrou-se “tão chocado como o resto das pessoas”, depois de saber do ataque.

Ian Mercer disse ter prestado declarações à polícia e ao FBI, mas confessou não ter respostas ou pormenores para adiantar. “Foi um dia devastador, devastador para mim e para a minha família. Estou chocado, é tudo o que posso dizer”, desabafou, citado pelo mesmo jornal britânico.

Não se sabe quantas pessoas estariam na faculdade no momento exato do tiroteio, ainda que a imprensa tenha já ouvido alguns dos sobreviventes, que garantem que Mercer perguntou às vítimas, antes de disparar, que religião professavam.