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Internacional

Em dia de mais bombardeamentos na Síria, Putin encontra-se com líderes ocidentais

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Anadolu Agency

Presidente russo vai participar numa cimeira sobre a Ucrânia onde também estarão presentes François Hollande e Angela Merkel

Helena Bento

Jornalista

Vladimir Putin vai reunir-se esta sexta-feira em Paris com François Hollande e Angela Merkel. É a primeira vez que o Presidente russo se encontra com líderes europeus desde que o governo de Moscovo autorizou os primeiros bombardeamentos sobre território sírio.

Apesar de Putin se ter deslocado a França para participar numa cimeira sobre o conflito na Ucrânia, espera-se que a intervenção russa na Síria seja um dos principais temas que vão dominar as conversas na reunião.

Dois dias após os primeiros bombardeamentos russos na Síria, que atingiram alvos em três regiões do noroeste sírio, Homs, Hama e Latakia, onde não há presença significativa do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), mantêm-se as dúvidas relativamente às verdadeiras intenções de Moscovo e aos alvos que tem efetivamente em mira na Síria.

Moscovo garante que esse primeiro ataque aéreo, levado a cabo na quarta-feira, visou posições do Daesh, mas governos ocidentais, forças de oposição sírias e observadores no terreno desmentem essa versão, afirmando que a aviação russa atacou sobretudo posições de rebeldes moderados e grupos oposicionistas ao Presidente sírio Bashar al-Assad, como a Frente-al Nusra, o poderoso braço da Al-Qaeda na Síria.

Um grupo de ativistas locais na cidade de Talbiseh, na província de Homs, disse que o ataque aéreo causou a morte a 16 civis, entre eles duas crianças. Já a Organização de Defesa Civil da Síria, uma força de socorros não-governamental, elevou esse número para 33.

Rússia nega bombardeamentos sobre grupos da oposição a Assad

Esta quinta-feira, antes de um segundo bombardeamento sobre uma cidade ocupada pela aliança de rebeldes anti-Assad Exército da Conquista, Sergey Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, desmentiu essas acusações, incluindo a de haver vítimas entre os civis, e voltou a lembrar que o objetivo da operação militar russa é apoiar Bashar al-Assad no combate ao Daesh e outros grupos terroristas.

Ainda na quinta-feira, os países aliados da coligação liderada pelos Estados Unidos, temendo que as ações militares russas na Síria resultem em mais violência, assinaram uma declaração conjunta em que é pedido a Moscovo para pôr fim aos bombardeamentos contra grupos que se opõem ao Presidente sírio e para se focar no combate ao Daesh.

"Manifestamos a nossa profunda preocupação relativamente à intervenção militar russa na Síria e principalmente em relação aos ataques levados a cabo pela força aérea russa. Estas ações contribuem para uma escalada [de violência] e resultarão em mais extremismo e radicalismo", lê-se no documento citado pela Al-Jazeera, que refere ainda que a declaração foi publicada nos sites dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Alemanha e França.

Caças russos bombardearam Raqqa esta sexta-feira

A aviação russa anunciou esta sexta-feira ter bombardeado pela primeira vez alvos na província de Raqqa, no leste da Síria, capital do autoproclamado Estado Islâmico. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, foram mortos pelo menos 12 membros da organização jiadista.

Um comunicado do Ministério da Defesa russo informou que os ataques aéreos, num total de 18, visaram, entre outros alvos, “um posto de comando camuflado em Kasrat Faraj”, a sudoeste da cidade. Foi ainda atacado um campo de treino próximo da cidade de Maadan Jadid.