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Ajuda internacional pode “minar” África

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A advertência vem do reputado economista francês Thomas Piketty que critica os moldes que está a ser dada ajuda internacional aos países africanos

O economista francês Thomas Piketty considerou esta sexta-feira que a ajuda internacional aos países africanos não é necessariamente benéfica porque “pode minar a construção do Estado” ao não criar um verdadeiro sistema de saúde e educação.

“A ajuda internacional pode minar o processo de construção do Estado, uma vez que é um meio de prestação de serviços públicos sem a criação de um verdadeiro sistema de saúde pública e educação, que são as coisas mais importantes a longo prazo”, defendeu o conhecido economista, autor do livro “O Capital no Século XXI”, em declarações à AFP em Joanesburgo.

Na entrevista, Piketty, conhecido pelo seu trabalho académico sobre as desigualdades na distribuição da riqueza produzida nos países, criticou também a falta de transparência de alguns países africanos, particularizando o caso da África do Sul.

“Eu acho que não há transparência suficiente sobre a riqueza, nem sobre quem a possui nem sobre a evolução ao longo do tempo, não só no mundo, mas especialmente em África, e particularmente na África do Sul”, afirmou.

Sobre a África do Sul, país que está a visitar e que é frequentemente notícia devido aos escândalos de corrupção relacionados com o Presidente, Jacob Zuma, Piketty disse ter “muitas dúvidas” sobre a eficácia das políticas aplicadas depois do 'apartheid', acrescentando que os resultados "ficaram aquém das expetativas da população em termos de igualdade".

Para este economista, que a AFP classifica como “uma estrela da economia de esquerda francesa”, a atribuição dos direitos de acesso aos direitos fundamentais “é importante, mas não é suficiente, sendo necessária, nalgum ponto, uma verdadeira igualdade no acesso à educação e à propriedade, que só se alcançam com uma reforma da propriedade da terra e a redistribuição da riqueza”.

Apesar de a maioria dos países africanos estar a crescer muito rapidamente, encabeçando inclusivamente a lista dos países em franca expansão económica, a maioria da população vive abaixo da linha de pobreza extrema, medida pelo Banco Mundial como abaixo de 1,25 dólares por dia, cerca de 1,10 euros.