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Internacional

EUA desconfiam das intenções dos ataques russos na Síria

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FOTO ANDREW KELLY/REUTERS

Washington acusa Moscovo de “pôr mais gasolina no incêndio” que é a guerra civil da Síria. Putin garante que as acusações são “infundadas” e que a Rússia só está a atacar posições do auto-proclamado Estado Islâmico (Daesh)

Aumenta a escalada do conflito na Síria. Desde quarta-feira, com o início dos bombardeamentos aéreos por parte da Rússia na cidade de Homs, dezenas de civis terão morrido segundo denunciaram grupos de ativistas e rebeldes. O líder da oposição síria, Kaled Khoja, fala em pelo menos 36 civis mortos durante um ataque russo em Homs. Esta quinta-feira, os bombardeamentos russos prosseguem na região.

Os EUA desconfiam das intenções dos ataques levados a cabo pela Rússia na região, apesar de Vladimir Putin garantir que as forças do país só estão a atacar posições do auto-proclamado Estado Islâmico (Daesh). O diário norte-americano "Wall Street Journal" avança hoje, quinta-feira, que que um ataque russo de ontem teve como alvo uma área na Síria onde se encontravam rebeldes apoiados pela CIA.

“Os bombardeamentos aéreos terão ocorrido em áreas onde provavelmente não se encontram forças do Daesh. Em vez de Assad estar a atacar os jiadistas está a atacar os inimigos do Presidente sírio”, declarou por sua vez Ashton Carter, secretário da Defesa dos EUA.

Washington considera que Moscovo pretende por um lado combater o Daesh, mas por outro continuar a apoiar o regime de Bashar al-Assad. “Combater o Daesh sem conduzir em paralelo uma transição política só aumenta os riscos de uma escalada do conflito na Síria. Isso é só pôr mais gasolina num incêndio”, acrescentou Carter.

Na quarta-feira, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros negou as acusações feitas pelos EUA, assegurando que os ataques aéreos só visaram atingir os membros do Estado Islâmico.

“As acusações que nos fazem de que os nossos bombardeamentos aéreos não têm como alvo as posições do Daesh são totalmente infundadas”, disse Sergei Lavrov, após uma reunião com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

“Também concordámos que é imperativo encontrar uma solução para este conflito e evitar a escalada de qualquer forma”, afirmou Kerry.

Os EUA e a Rússia continuam com visões opostas em relação ao conflito: se Washington acredita que o Daesh só pode ser combatidos em Assad no poder, Moscovo defende que o Presidente sírio e seu aliado está também interessado em combater o terrorismo.

Pelo menos 200 mil pessoas morreram e outros milhões fugiram da Síria desde o início do conflito no país há quatro anos.