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Cinco polícias brasileiros detidos por alterarem cena de homicídio

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Junto ao cadáver de um jovem, os agentes foram filmados a colocar uma arma na mão do menor baleado e a fazer disparos para o ar. Caso está sob investigação

É um novo caso a abalar a imagem da Polícia Militar brasileira. Cinco agentes vão ser indiciados por fraude processual, depois de ter sido posto a circular nas redes sociais um vídeo onde são vistos a alterar a cena de um homicídio, no Morro da Providência, no centro do Rio de Janeiro.

Inicialmente, o relatório da ocorrência apontava para um caso de resistência policial, que acabaria por vitimar esta terça-feira um jovem de 17 anos, ligado ao tráfico de droga. Já com o cadáver no chão, num beco, os moradores da comunidade filmaram com um telemóvel os momentos em que os agentes, aparentemente, tentam criar indícios para simular uma situação de confronto.

Depois de um dos polícias sacar da sua arma para disparar para o ar, um colega coloca uma arma na mão do jovem baleado e faz dois disparos para o lado. Segundo o jornal “O Globo”, no momento da fraude os agentes já não usam coletes, nem distintivos.

Uma outra testemunha reconhece que as ligações do jovem ao comércio da droga eram conhecidas, mas garante que, apesar de armado, não reagiu e tentou render-se.

A acusação de fraude começou por ser dirigida a dois dos agentes, Éder Siqueira e Gabriel Floriado, sendo os restantes considerados apenas testemunhas. Mas durante a madrugada desta quarta-feira, e perante a evidência das imagens, todo o grupo foi detido. As suas armas foram apreendidas e a morte do jovem vai agora ser investigada também pela Divisão de Homicídios.

O secretário de Estado de Segurança brasileiro, José Mariano Beltrame, reagiu num comunicado, onde diz “repudiar atos como este”, além de exigir “rigor nas investigações, com punição exemplar dos responsáveis”.

Já o comando da Polícia Militar avalia como “gravíssima” a conduta dos agentes, com a qual não “compactua”, informando que "a Corregedoria Interna da Polícia Militar determinou a abertura de um Procedimento Administrativo Disciplinar para analisar a permanência dos policiais na corporação.