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Forças afegãs tentam recuperar Kunduz aos talibãs

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EPA

Autoridades afegãs garantem que um líder talibã e o seu braço-direito foram mortos durante um bombardeamento aéreo na cidade de Kunduz

As forças especiais da Aliança Atlântica (NATO) juntaram-se esta quarta-feira às forças afegãs para tentarem recuperar a cidade de Kunduz - tomada há dois dias pelos talibãs -, naquela que foi a sua maior conquista militar desde que perderam o poder, em 2001.

Durante a noite registaram-se fortes bombardeamentos aéreos nos arredores da cidade, nomeadamente junto ao aeroporto local. Segundo as autoridades afegãs, um líder talibã, Mawlawi Salam, e o seu braço-direito foram mortos durante os ataques.

“Mawlawi Salam era comandante dos talibãs destacados em Kunduz. A sua morte significa um duro golpe para a moral e para os planos dos talibãs", anunciaram os serviços secretos do Afeganistão em comunicado.

O porta-voz da polícia de Kunduz anunciou que dezenas de outros talibãs também foram abatidos durante os bombardeamentos aéreos.

Os talibãs controlam, desde segunda-feira, vários edifícios públicos, como a sede da polícia local e uma prisão. O Governo afegão estima que meio milhar de prisioneiros tenham sido libertados.

Uma centena de civis mortos

De acordo com as Nações Unidas (ONU), pelo menos uma centena de civis foram mortos e outros seis mil fugiram da região na sequência dos ataques.

“Estou muito preocupado com a situação em Kunduz, após o ataque dos talibãs à cidade. Há relatos de execuções extrajudiciais, incluindo dos profissionais de saúde, sequestros, recusa de atendimento médico e restrições à deslocação para fora da cidade - aspetos que são particularmente perturbadores”, declarou Nicholas Haysom, chefe da operação da ONU no Afeganistão, citado pelo “Guardian”.

Há um ano no poder, o Presidente afegão Ashraf Ghani garantiu, numa declaração ao país, que as forças afegãs, em conjunto com as forças internacionais, estão a conseguir "progressos" com vista à recuperação da cidade de Kunduz.

Ataques começaram em abril

O coronel Brian Tribus, porta-voz da NATO, sublinhou que as forças da coligação internacional - que incluem elementos britânicos, norte-americanos e alemães - estão no terreno a apoiar as forças afegãs.

"Temos forças suficientes para recuperarmos a cidade aos talibãs, mas infelizmente não há vontade para combater", acusou Mohammad Zahir Niazi, chefe do distrito de Chardara, citado pela Reuters.

Desde abril, a cidade afegã de Kunduz começou a ser alvo de ataques, com mais rebeldes a juntarem-se aos talibãs.